Moradores e comerciantes do bairro de Copacabana fazem, na manhã desta sexta-feira, uma manifestação contra a paralisação das obras de Linha 1 do metrô até a Estação Cantagalo. Parte da Rua Pompeu Loureiro foi interditada e funcionários da Cet-Rio organizam o trânsito.
Empregados das empreiteiras responsáveis pelo serviço e o presidente da Rio Trilhos,Alexandre Farah, também participam do ato.
Na quinta-feira, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Matheus, e o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),Guido Mantega, não conseguiram chegar a um acordo para restabelecer o pagamento das parcelas das obras de extensão da Linha 1 do metrô até a estação Cantagalo, em Copacabana.
Apesar de afirmar que "o banco tem total interesse em viabilizar recursos para o metrô do Rio de Janeiro e de reconhecer a importância social da obra", Mantega reiterou que o financiamento só será liberado quando o governo do estado tratar do reescalonamento de uma dívida de R$ 847,5 milhões, aprovado em 2003.
- O acordo não foi reconhecido pelo Tesouro Nacional e o estado continuou inscrito no Cadip (Cadastro de Controle de Crédito do Setor Público) do Banco Central. Então, é preciso seguir o rito legal, que é tirar o estado do Cadip, fazer a reestruturação da dívida com o aval do Tesouro Nacional e do Ministério da Fazenda, e, então o BNDES voltará a liberar os recursos - disse Mantega.
Para tirar o estado do Cadip, Mantega propôs a Rosinha Matheus que o estado pague uma parcela extra no valor de R$ 34 milhões. O dinheiro seria somado aos cerca de R$ 260 milhões já pagos pelo governo, desde novembro de 2003.
A governadora disse que a questão é política e que não aceita fazer um novo pacto.
- Há 20 meses estou pagando a renegociação rigorosamente em dia. Disse ao presidente do BNDES que, na minha interpretação, essa é uma questão política e eu não posso me calar e fazer com que o estado se perca mais uma vez e prejudicar a obra do metrô.
A governadora não apresentou uma contraproposta e já adiantou que entrará com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a liberação das parcelas do empréstimo, de R$ 193 milhões, que estão suspensas desde janeiro deste ano.