Cerca de 5.000 manifestantes percorreram o centro de Manila na sexta-feira pedindo a renúncia de Gloria Macapagal Arroyo, a quem chamaram de "falsa presidente" devido a denúncias de irregularidade que abalaram os mercados financeiros.
- Basta de corrupção, fora GMA -, dizia um cartaz, referindo-se às iniciais da presidente.
Nada foi comprovado, mas os filipinos estão obcecados com a guerra de palavras entre oposição e governo, que aponta um complô para derrubar Arroyo.
A polícia estava em alerta total durante a manifestação, convocada por uma coalizão de políticos de oposição, esquerdistas e grupos católicos. Centenas de agentes, apoiados por caminhões, bloquearam o caminho da passeata, mas não houve violência. Outro protesto, convocado para sábado por um ex-general, foi cancelado.
O peso filipino fechou cotado a 55,65 por dólar. Antes da passeata, o dólar chegou a valer 55,86 pesos. Nesta semana, a moeda filipina atingiu seu menor valor em cinco anos, 55,94 por dólar.
- Parte do alívio sobre o peso verificado no mercado durante a tarde ocorreu porque ficou claro que a oposição não chegaria nem perto dos estimados 50 mil (manifestantes) que esperava - disse nota da empresa de investimentos 4Cast.
As manifestações das últimas semanas contra Arroyo, cuja popularidade é a mais baixa desde sua reeleição, em 2004, em geral são pequenas. Mas a oposição está animada com o silêncio da presidente em reação às gravações que provariam que sua eleição foi fraudada.
Arroyo é criticada também por alguns aliados, que cobram dela uma declaração firme negando ser sua a voz que aparece na conversa gravada com um funcionário eleitoral.
A presidente está acuada ainda por acusações de que parentes receberam propinas de cassinos ilegais. Uma CPI do Senado sobre o assunto retomou seus trabalhos nesta sexta-feira.
- A presidente Arroyo nunca se beneficiou dos dividendos do jogo ilegal - disse seu porta-voz, Ignacio Bunye.
As Filipinas têm um histórico de rebeliões populares que derrubaram presidentes em 1986 e 2001, mas o analista Ramón Casiple acha que parcelas importantes da sociedade estão dando a Arroyo o benefício da dúvida.
-´Por enquanto não há muito impulso, porque acho que a esta altura todo mundo - classe média, empresas, igreja - ainda estão dando tempo para que a presidente fale. É um momento de negociações, de manobras por uma melhor posição política - diss ele.
Outros analistas dizem que os filipinos nem ficam chocados com denúncias de corrupção eleitoral nesta democracia vibrante, mas sem regras, e vêem com receio as rebeliões do "poder popular" e as pelo menos 12 tentativas de golpe desde 1986.
Os investidores temem que a crise política paralise o governo e impeça as reformas necessárias para combater a dívida pública, que atinge 70 bilhões de dólares, e a corrupção endêmica.