Rio de Janeiro, 12 de Setembro de 2026

Manifestantes ocupam sede da Odebrecht em São Paulo

Cerca de 100 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam por 15 minutos o hall de entrada do escritório da construtora Odebrecht, na Marginal Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Eles se juntaram aos manifestantes do coletivo Resistência Urbana, que faziram nesta quinta-feira três atos na capital paulista contra os gastos da Copa do Mundo.

Quinta, 08 de Maio de 2014 às 09:06, por: CdB
mst.jpg
Cerca de 100 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam por 15 minutos o hall de entrada do escritório da construtora Odebrecht
Cerca de 100 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocuparam por 15 minutos o hall de entrada do escritório da construtora Odebrecht, na Marginal Pinheiros, na Zona Oeste da capital paulista. Eles se juntaram aos manifestantes do coletivo Resistência Urbana, que faziram nesta quinta-feira três atos na capital paulista contra os gastos da Copa do Mundo. Os militantes do MST saíram em marcha junto com os integrantes do coletivo Resistência Urbana, no Metrô Butantã. Os sem terra decidiram entrar na sede da empresa e picharam as paredes do prédio. Durante a entrada, os seguranças recuaram, evitando o confronto. - Odebrecht ganha bilhões com a Copa em cima do sangue de operários e do dinheiro de todos nós - diz um das faixas do grupo. Em outro cartaz, a foto do diretor-presidente da empresa é divulgada com a frase “Fora, Odebrecht”. Por volta das 11h, o movimento foi encerrado. Para Kelly Maffort, integrante da direção nacional do MST, um dos impeditivos para a reforma agrária no país é a designação de um orçamento de apenas 0,15% para essa política. “Esse número é extremamente baixo e cai a cada ano, mas o Estado brasileiro tem se dedicado a grandes investimentos em grandes eventos, com a Copa”, declarou. Ela critica também o fato de que os recursos públicos estejam sendo destinados para empresas. Em relação à Odebrecht, ela destacou que a empresa, embora seja mais conhecida pelos empreendimentos na área de construção civil, também está ligada ao agronegócio por meio da empresa ETH, que atua no setor sucroalcooleiro, como ocorre no Pontal do Paranapanema, extremo oeste do estado. A região é conhecida por conflitos agrários relacionados a grilagem de terra. A Agência Brasil procurou a construtora para que ela pudesse comentar o ato, mas, até o momento da publicação desta matéria, não houve retorno. Os integrantes do MST retornaram ao alojamento no Butantã, onde estão acampados desde quarta-feira, e os integrantes do coletivo Resistência Urbana se dispersaram. A Odebrecht foi a responsável pela construção do Itaquerão, estádio do Corinthians que vai sediar o jogo de abertura da Copa do Mundo em São Paulo. Estava previsto para esta quinta um ato no estádio, durante a visita da presidenta Dilma Rousseff. A atividade, no entanto, foi suspensa, porque, segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), o governo federal se comprometeu a receber o movimento. “A pauta é mudanças no Programa Minha Casa, Minha Vida, medidas de prevenção de despejo forçado no país e uma nova lei do inquilinato”, enumerou Guilherme Boulos, um dos coordenadores do MTST. Copa do Povo  As mais de 2,8 mil famílias sem-teto que ocupam, desde o último sábado, um terreno em Itaquera, zona leste paulistana, prometem resistir à ação de reintegração de posse determinada nesta quarta-feira pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. A liminar, concedida pelo juiz Celso Maziteli Neto, autoriza a expedição de um mandado de despejo, caso eles não deixem o local voluntariamente em 48 horas. O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) disse, por meio de nota, que vai recorrer da decisão em favor da Viver Incorporadora, “por considerá-la injusta e descriteriosa”. Para o movimento, a medida desconsidera o fato de que a área está abandona há anos e, portanto, não cumpre função social. O MTST promete não sair da área até que haja negociação para uma solução habitacional digna para as famílias. Em caso de despejo forçado, o movimento promete resistir. “Não queremos outro massacre do Pinheirinho. Nem que a imagem da Copa do Mundo no Brasil seja definitivamente marcada por um conflito violento e massacre de trabalhadores sem-teto”, diz a nota. A ocupação, que teve início na madrugada de sábado, foi batizada de Copa do Povo, porque fica a apenas 4 quilômetros do estádio do Corinthians, o Itaquerão, que vai sediar a abertura dos jogos. “Escolhemos esse terreno justamente para dialogar com esses contrastes da Copa do Mundo. Bilhões são gastos com o evento e do outro lado temos milhares de pessoas sem moradia”, explicou Josué Rocha, integrante do MTST. Ele destaca que o evento fez com que o preço dos aluguéis duplicasse, aumentando ainda mais o déficit habitacional na região. O prefeito Fernando Haddad disse, na última segunda-feira, que avalia a possibilidade de transformar o terreno em área de interesse social por meio do Plano Diretor, que ainda vai ser votado em segunda discussão na Câmara de Vereadores. A assessoria do vereador Nabil Bonduki, relator do plano, informou que o atual zoneamento define a área como predominantemente industrial. Disse ainda que essa alteração é possível por meio de emenda, mas que é necessária uma análise técnica sobre a viabilidade de um projeto habitacional no local. A Viver Incorporadora informou, por meio de nota, que o terreno em questão é de sua propriedade e que não existe inadimplência de impostos em relação a essa área.
Tags:
Edições digital e impressa