Por Face oculta 03/06/2011 às 09:05
"Não vendemos, não estamos à venda"
Cerca de 100 manifestantes bloquearam, esta sexta-feira de madrugada, a entrada do edifício do ministério grego das Finanças, em Atenas, e penduraram, no telhado, uma bandeira gigante a apelar a uma greve geral contra o reforço das medidas de austeridade.
A bandeira foi pendurada no quinto andar da fachada do ministério das Finanças pelos manifestantes da Frente de Luta Sindical (PAME), próxima do Partido Comunista (KKE).
O protesto ocorre depois de ter sido convocada para 15 de Junho a terceira greve geral na Grécia este ano contra as medidas de austeridade impostas ao país desde Maio de 2010, em troca de um empréstimo internacional cedido pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Central Europeu (BCE) e pela Comissão Europeia (CE).
Entre as exigências da "troika" internacional à Grécia encontra-se ainda um plano de privatizações.
Os planos do governo maioritário do Partido Socialista Pan-Helénico (PASOK) prevêem a concessão imediata de 10% da operadora de telecomunicações grega OTA à Deutsche Telekom, e ainda a privatização dos portos de Atenas, de Salónica e do Banco postal.
A operadora de jogos OPAP e o grupo de energia DEI-PPC (Electricidade da Grécia) estão também incluídos na lista de privatizações previstas até 2013.
A lista de vendas, acompanhada por uma série de medidas suplementares de rigor, sobretudo fiscais, está a ser aplicada pelo Governo após a ameaça de congelamento da ajuda financeira concedido a um país muito endividado e banido dos mercados pela UE e FMI.
O plano deverá estar concluído nos próximos dias para ser apresentado no parlamento antes da cimeira europeia de 23 e 24 de Junho, onde a crise da dívida grega será um dos temas em discussão.
Sob o lema "Não vendemos, não estamos à venda", a greve geral de 15 de Junho vai incluir desfiles de protesto nas principais cidades do país.