Dezenas de manifestantes entraram em conflito com a polícia nesta quarta-feira e bloquearam ruas ao redor do hotel de luxo onde os líderes mais poderosos do mundo vão discutir a ajuda à África e o combate ao aquecimento global.
Ativistas encapuzados quebraram janelas de carros e entraram em confronto com a polícia na cidade de Stirling, perto de Gleneagles, e outros improvisaram barricadas nas ruas ao redor do bem guardado complexo que abrigará a cúpula do G8. Dez mil homens fazem a segurança do local, protegido por uma cerca de aço de 8 quilômetros de extensão.
A polícia prendeu 60 manifestantes que participaram de protestos anticapitalistas reunindo milhares de pessoas que pediam o fim da pobreza na África. Oito policiais ficaram feridos.
Uma marcha anti-G8 que contaria com 5.000 participantes foi cancelada pela polícia por "ameaçar a ordem" e pela necessidade de manter a segurança nas ruas.
O concerto Live 8 na capital escocesa, Edimburgo, ainda nesta quarta-feira, vai colocar mais pressão para que os líderes de Grã-Bretanha, França, Alemanha, Japão, Rússia, Itália, Canadá e Estados Unidos sejam mais generosos com o continente mais pobre do mundo. No sábado, mais de um milhão de pessoas participaram de shows ao redor do mundo e bilhões assistiram a eles pela televisão.
O encontro oficial do G8 começa com um jantar nesta quarta-feira, oferecido pela rainha Elizabeth.
O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, vem pressionando pela duplicação da ajuda à África, para 50 bilhões de dólares ao ano, pela abertura dos mercados aos produtos africanos e pelo cancelamento da dívida.
Os líderes do G8 deverão aprovar o cancelamento de mais de 40 bilhões de dólares em dívidas de 18 países, a maioria da África subsaariana. Outros 20 países poderão ser beneficiados em breve.
Agências de ajuda dizem que isso é pouco frente aos problemas da África. Elas dizem que 62 países precisam de 100 por cento de cancelamento para que o objetivo das Nações Unidas de reduzir a pobreza pela metade até 2015 seja alcançado.
Blair deverá conseguir algum apoio na ajuda à África, mas terá que lutar para convencer os Estados Unidos a reduzir as emissões de gases que, segundo a maioria dos cientistas, estão aquecendo a Terra.
O presidente dos EUA, George W. Bush, reconheceu que os seres humanos são culpados pelo aquecimento.
- Eu reconheço que a Terra está mais quente, e o aumento dos gases do efeito estufa está contribuindo para o problema - disse ele, em entrevista coletiva, durante visita à Dinamarca, a caminho do encontro do G8.
- Os Estados Unidos, por motivos de segurança nacional e segurança econômica, precisam buscar alternativas aos combustíveis fósseis. Estamos traçando uma estratégia para isso. Mal posso esperar para compartilhar isso com nossos amigos do G8 - disse.
A preocupação de Bush está na proposta de declaração sobre temas econômicos. A proposta afirma que o G8 é contra os altos preços do petróleo e quer informações claras sobre as reservas de petróleo para conter a especulação nos mercados que prejudica o crescimento econômico global.
O preço do petróleo chegou ao recorde de 60,95 dólares o barril na semana passada, devido à alta demanda, principalmente da China.
A proposta de declaração, no entanto, não pede à China para relaxar as restrições sobre sua moeda, fator que, segundo legisladores dos EUA, mantêm os preços das exportações chinesas artificialmente baixos nos mercados mundiais.