Movimento também reivindica a demissão do secretário de Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, que coordenou repressão na última semana
09/06/2011
Aline Scarso
Da Redação
Manifestantes que pedem a redução do preço das passagens de ônibus em Vitória, no Espírito Santo, se concentram nessa sexta-feira (10), a partir das 17h, no Teatro Universitário da Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo), de onde sairão em passeata. A perspectiva é de negociação com o governador José Renato Casagrande (PSB).
Esta é a 15ª manifestação do movimento. Segundo Raphael Sodré, integrante do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Ufes, existem especulações de que Casagrande estaria disposto a conversar com uma comissão. Entre os pontos a serem negociados, estão as demissões da presidente da Ceturb, Denize Cadete e do secretário de Segurança Pública, Henrique Herkenhoff. O pedido de demissão do secretário surgiu depois da repressão à população na última quinta-feira (2).
“A perspectiva do movimento é avançar, aumentar as mobilizações e ter um retorno do governador sobre esses e demais pontos”, afirma Raphael.
Outra reivindicação do movimento é o desarquivamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Transcol (Transportes Coletivos), que tem o monopólio do sistema de transporte urbano. A suspeita de é que existam irregularidades nos contratos de concessão. O ônibus em Vitória e na região metropolitana passou a custar R$ 2,30 desde o dia 28 de dezembro, ante R$ 2,15.
Para Raphael, o aumento não significou a melhoria do transporte. “A população é obrigada a usar um transporte sem qualidade, os ônibus estão lotados, as frotas permanecem as mesmas. Queremos reesdiscutir o valor e pagar um preço justo, excluindo o lucro do empresariado”.
Ato lembra repressão da BME
O ato dessa sexta-feira (10) marca oito dias da repressão contra manifestantes que participavam do protesto pela queda da passagem na quinta-feira passada. Movimentos sociais denunciaram durante toda semana o despreparo do Batalhão de Missões Especiais (BME) da Polícia Militar em lidar com o conflito, a partir de ações violentas que atingiram até mesmo quem não participava das manifestações.
Em pelo menos três momentos o Batalhão usou da força para acabar com os protestos com ocupação de avenidas no centro, em frente ao Palácio Anchieta, e em frente à Ufes. “Estive na manifestação e percebi a tropa de choque ensandecida. Não foi a primeira vez que a polícia atacou os movimentos sociais dessa forma, o que é muito grave”, afirmou o presidente do Conselho Estadual de Direitos Humanos, Gilmar Ferreira. Segundo ele, o que existiu foi uma grave violação de direitos humanos.
Na Universidade, estudantes relatam que as bombas pegaram de surpresa pessoas que circulavam nas dependências do campus de Goiabeiras. As bombas chegaram até o Teatro Universitário, onde uma sessão de filmes infantil teve que ser interrompida e as crianças, de 3 a 6 anos, protegidas. No centro da cidade, também os transeuntes foram atingidos pela repressão.
“Houve caso de policiais pisaram em cabeças de estudantes. Fizeram terrorismo psicológico, agrediram com ofensas de cunho racista e homofóbico, e dizendo 'você está marcado'”, conta Raphael.
Ao todo, 27 manifestantes foram presos e soltos na madrugada do dia 3. Na noite do mesmo dia, cerca de 4 mil pessoas ocuparam as ruas contra a violência policial e pela redução do preço das passagens.
Conheça as reivindicações do movimento
redução imediata do preço da passagemaumento da frota de ônibus do Sistema Transcolexoneração da diretora-presidente da Companhia de Transportes Urbanos da Grande Vitória (Ceturb), Denise Cadeteexoneração do Secretário Estadual de Segurança, Henrique Herkenhoff.funcionamento dos ônibus durante 24 horasdesarquivamento da CPI do Transcolfim do Conselho Tarifário (COTAR) e criação de um Conselho Estadual de Transporte Público, com 50% de representação de usuários, 25% de trabalhadores rodoviários e 25% para governo e empresáriosperíodo fixo (mês de maio) para reajuste da tarifa; acesso irrestrito às tabelas de custos e lucros do Sistema Transcolrealização de Conferência Estadual que debata mobilidade urbana com a populaçãoimplantação de modalidades alternativas de transporte, como ciclovias e sistemas aquaviáriosfim dos pedágios da Terceira Ponte e da Rodovia do Solextinção do BME.
Com informações do Jornal especial do Sindicato dos Professores da Ufes