Milhares de pessoas comemoraram nas ruas de Katmandu, nesta terça-feira, a derrota do rei Gyanendra diante da aliança da oposição, que elegeu Girija Prasad Koirala, líder octogenário do Congresso Nepalês, como futuro primeiro-ministro. A decisão do rei do Nepal de restaurar o Parlamento fez a oposição cancelar os protestos convocados para esta tarde (horário local) que eram parte da mobilização que paralisou o país durante quase três semanas, mas a resolução real não convenceu os maoístas, que mantêm o bloqueio das estradas.
O objetivo da aliança da oposição é incluir os rebeldes na via política e com a esperança de poder declarar um cessar-fogo durante a formação do novo Governo liderado por Koirala. No entanto, o líder dos rebeldes, Prachanda, acusou os partidos de cometerem "outro erro histórico" por aceitarem a "farsa" do rei, e afirmou que continuarão bloqueando as estradas "até que haja um anúncio incondicional de eleições à Assembléia Constituinte".
Em novembro, os maoístas se uniram à oposição para lutar por uma Assembléia para redigir uma nova Constituição que limite o papel do rei, que teve o poder absoluto no país nos últimos 14 meses. A posição expressada hoje pelos maoístas parece chamar a atenção dos partidos para que não se esqueçam do acordo feito em novembro, nem se aproximem muito do rei.
Mesmo com a permanência dos bloqueios, as ruas de Katmandu voltavam à normalidade nesta terça. As lojas abriram e o transporte público funciona novamente na cidade que foi paralisada pelas mobilizações, nas quais pelo menos 14 pessoas morreram e centenas ficaram feridas.