Rio de Janeiro, 08 de Setembro de 2026

Manifestantes cobram renúncia do presidente em Burkina Fasso

Centenas de manifestantes marcharam na capital de Burkina Fasso nesta sexta-feira para exigir a renúncia do presidente Blaise Compaore, um dia depois de os militares dissolverem o Parlamento e anunciarem um governo de transição em decorrência dos protestos violentos.

Sexta, 31 de Outubro de 2014 às 08:37, por: CdB
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Presidente Blaise Compaoré, principal alvo dos protestos, diz que continua no cargo
Centenas de manifestantes marcharam na capital de Burkina Fasso nesta sexta-feira para exigir a renúncia do presidente Blaise Compaore, um dia depois de os militares dissolverem o Parlamento e anunciarem um governo de transição em decorrência dos protestos violentos. - Nós não queremos ele. Queremos ele fora do poder. Ele não é nosso presidente - disse o manifestante Ouedrago Yakubo à agência inglesa de notícias Reuters. Os manifestantes se reuniram na principal avenida da capital Ouagadougou e em frente ao quartel-general dos militares. Compaore, um aliado próximo da antiga colonizadora França que tomou o poder num golpe em 1987, disse nesta quinta-feira à noite que permaneceria no cargo para comandar um governo de transição até depois das eleições. O anúncio do presidente foi feito após o chefe das Forças Armadas, general Honoré Traoré, dizer que iria abrir negociações com todos os partidos políticos para a criação um governo interino, com o objetivo de organizar eleições democráticas no país da África Ocidental no prazo de um ano. Benewede Sankara, um proeminente membro da oposição, disse que o comunicado de Troaré era equivalente a um golpe militar. - A saída de Compaore é uma condição e não negociável. Por 27 anos, Compaore tem nos ludibriado. Mesmo agora, ele está tentando nos enganar e enrolar as pessoas - disse ele à rádio RFI. Ao menos três manifestantes foram mortos a tiros e vários outros ficaram feridos em confrontos com forças de segurança na quinta-feira, quando manifestantes atacaram símbolos do longo governo de Compaore, saquearam e atearam fogo ao Parlamento e ocuparam a TV estatal. Os acontecimentos em Ouagadougou estão sendo acompanhados de perto por uma geração de líderes há muito no poder em países da África, que estão se prevenindo contra limites constitucionais a seus mandatos. Revolta popular As Forças Armadas de Burkina Faso anunciaram nesta quinta-feira a dissolução do Parlamento e a instalação de um governo de transição para conter a onda de protestos no país, iniciada há três dias. O presidente Blaise Compaoré, porém, disse que continuará no cargo até o fim do período de transição. Ele está há 27 anos no poder e é alvo de uma revolta popular por sua tentativa de mudar a Constituição para estender seu mandato. - Ouvi a mensagem. Entendi e levo em conta o forte desejo de mudança - afirmou Compaoré. "Estou disposto a um período de transição, após o qual o poder será transferido para um presidente eleito democraticamente." A decisão dos militares é tomada no dia em que a crise atingiu seu ápice, depois que manifestantes atacaram o Parlamento, destruíram a sede de emissoras pró-governo e incendiaram casas de parentes de Compaoré. O chefe das Forças Armadas, Honoré Traoré, anunciou que um governo de transição será instalado no poder por 12 meses, até as próximas eleições presidenciais. Ele não indicou, no entanto, quem estará à frente do Executivo no período. Um toque de recolher também foi estabelecido para todo o país. Compaoré despertou a ira de parte da população ao anunciar que pretende mudar a Constituição para estender seu mandato por mais meia década. A votação sobre a medida seria nesta quinta-feira no Parlamento, mas foi suspensa numa tentativa de acalmar os ânimos. O presidente ainda declarou estado de emergência e disse que abriria um diálogo com a oposição. A iniciativa, porém, não serviu para conter os manifestantes. O Parlamento foi o principal alvo das centenas de milhares de burquinenses que foram às ruas. Horas antes da anunciada votação, a sede do Legislativo foi incendiada e saqueada. Sem ação, a polícia abandonou o prédio. Carros de deputados foram destruídos. E o aeroporto da capital está fechado. - A oposição exige a demissão de Compaoré para permitir que a calma seja restaurada - disse Benewende Sankara, que lidera o Movimento Sankarista, criado em homenagem a um dos mais estimados líderes de África, Thomas Sankara. O partido de Compaoré, o Democracia e Progresso (CDP), tem maioria no Parlamento, e não teria problemas para aprovar a emenda. A mobilização contra Compaoré começou na terça-feira, após convocação do líder da oposição Zéphirin Diabré. O principal grito entoado pelos manifestantes é "27 anos são suficientes", em referência ao tempo em que o presidente está no poder. Compaoré chegou ao poder quando tinha 36 anos, após um golpe de Estado que derrubou seu ex-aliado Thomas Sankara, então primeiro-ministro. Desde 1991, foi reeleito presidente quatro vezes. Em 2005, foi introduzida na Constituição a limitação de mandatos, que Compaoré pretende agora anular.  
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