Assim que o grupo chegou ao palácio, houve uma pequena confusão entre os parlamentares, que estavam apressados, e a segurança do Planalto
Por Redação, com ABr - de Brasília:
Um grupo de parlamentares governistas chegou às 9h40 ao Palácio do Planalto, em ato de apoio à presidenta Dilma Rousseff, após a aprovação, pelo Senado, da admissibilidade do processo de impeachment contra ela. Do lado de fora, começa a aumentar o público que foi ao local para manifestar também apoio à presidenta.
Assim que o grupo chegou ao palácio, houve uma pequena confusão entre os parlamentares, que estavam apressados, e a segurança do Planalto, em decorrência dos procedimentos de rotina para a entrada.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) lembrou que Dilma foi eleita com 54 milhões de votos. “O dia de hoje é triste para o Brasil porque o resultado da eleição não foi respeitado. Por um golpe parlamentar, ela está saindo no dia de hoje do Palácio do Planalto, mas não está resolvido o tema do mandato, já que haverá uma segunda votação”, disse ele. “Nós entendemos que a sociedade brasileira não aceitará. O governo Temer é antigo e velho, não traz nada de novo. Sua agenda nunca seria aprovada nas urnas do país”, acrescentou.
Teixeira e os demais parlamentares, entre eles Maria do Rosário (PT-RS) e Henrique Fontana (PT-RS), disseram que a visita tinha como objetivo fazer “toda a simbologia ritual e constitucional”. “Mas vamos defender a democracia, a Constituição e o mandato dela até o fim. Estamos com ela porque foi eleita pelo povo brasileiro. Estamos também para resistir a essa agenda antipopular e que não teve nenhuma aprovação nas urnas”, acrescentou Teixeira.
A deputada Maria do Rosário reiterou as críticas que tem feito à forma como o processo deimpeachment foi conduzido e, em vários momentos, questionou a legitimidade de Michel Temer como presidente em exercício do país.
– Não aceitamos um golpe, mesmo que seja dado dentro de um palácio, do Senado ou da Câmara dos Deputados. Nós consideramos que Michel Temer não é legítimo para assumir o governo da República. Um governo que não nasce do voto em nenhuma medida terá legitimidade. O que Temer busca é aplicar um projeto neoliberal; um projeto do mercado. Está de joelho diante da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) e dos interesses internacionais.
– Temer já anuncia privatizações, já anuncia o fim de ministérios sociais. Nós não aceitaremos. Estamos mobilizados e o povo brasileiro vai se dar conta de que quem hoje deu um golpe na democracia e rasgou a Constuição, amanhã estará rasgando a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e o direito dos trabalhadores”, disse a deputada. “Quem lutou por esse povo ao longo de uma vida inteira, na ditadura, foi Dilma. E na democracia quem lutou foi o Lula – afirmou a deputada. Entre as pessoas que chegam à praça em frente ao Palácio do Planalto, para manifestar apoio à presidenta, está a servidora pública Lúcia Reis, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, teve a sorte de furar o bloqueio da segurança e entrar no palácio.
– Vim para participar da manifestação da praça, mas consegui me juntar a um grupo de jornalistas que tiveram acesso [até o espelho d'água e, depois, me juntei a um grupo que conseguiu entrar no palácio. Sinto-me sortuda por participar de um momento histórico, nesse lugar inusitado. Mas ao mesmo tempo acho lamentável para a história do nosso país esse processo de agressão à democracia brasileira. É golpe. Basta estar aberto para analisar a Constituição e ver. Um golpe questionável pela autoria do Eduardo Cunha e pela capitania de Michel Temer – disse ela, ainda esperançosa de que, com uma mobilização da população, Dilma retorne ao cargo após o Senado julgá-la inocente.
Também presente ao ato de apoio a Dilma, a coordenadora nacional da União Brasileira de Mulheres, Lúcia Rincon, criticou a formação ministerial prevista para o governo Temer, pelo fato de não ter, no quadro, nenhuma mulher e nenhum negro.
– Isso não nos surpreende. Sabemos que as forças conservadoras farão de tudo para colocar o povo fora das políticas públicas e para acabar com o direito. Essa formação ministerial só vem confirmar isso – disse ela à Agência Brasil.