Rio de Janeiro, 11 de Outubro de 2026

Manifestantes cedem à pressão da polícia e Londres vive noite mais calma, apesar da tensão

Após quatro noites de saques e vandalismo, as cidades britânicas amanheceram mais calmas nesta quinta-feira, depois de o governo mobilizar reforços policiais e prometer agir com firmeza para restaurar a ordem.

Quinta, 11 de Agosto de 2011 às 11:44, por: CdB
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Após quatro noites de saques e vandalismo, as cidades britânicas amanheceram mais calmas nesta quinta-feira, depois de o governo mobilizar reforços policiais e prometer agir com firmeza para restaurar a ordem. Às 21h30 (17h30 em Brasília) desta quarta-feira, os incidentes já se limitavam a escaramuças e confrontos isolados entre tropas de choque da polícia e grupos de jovens. Mas, com 16 mil policiais nas ruas, o clima em Londres – sede da Olimpíada de 2012 – ainda era de tensão, e grupos de moradores se encarregavam de vigiar bairros para evitar saques, incêndios e arruaças. Outras cidades inglesas que registraram distúrbios nos últimos dias, especialmente na noite de terça-feira, caso de Manchester, Liverpool e Birmingham, também passaram uma noite mais calma, embora o ambiente de tensão ainda seja predominante no país. – Precisamos de uma reação, e uma reação está em curso. Todos os recursos que a polícia precisar ela terá – disse o primeiro-ministro britânico, David Cameron, após se reunir na quarta-feira com o comitê governamental de combate a crises (Cobra, na sigla em inglês). O governo nega que os distúrbios tenham relação com os impopulares cortes de gastos públicos, adotados para fazer frente ao enorme déficit público. Segundo as autoridades, trata-se de "criminalidade pura". A indignação popular diante dos ataques contra estabelecimentos comerciais parece ter reforçado o argumento do governo. Nos saques, muitos itens supérfluos – televisores, joias, bebidas e doces – estavam sendo levados, e muitos pequenos estabelecimentos familiares foram atingidos. Mas líderes comunitários e alguns dos próprios envolvidos nos distúrbios dizem que a violência é reflexo da frustração das camadas mais pobres no país, que tem um dos maiores índices de desigualdade social no mundo desenvolvido. – Eles elevaram tarifas, cortaram benefícios para crianças. Todo mundo usou isso como uma chance para desabafar – disse à agência inglesa de notícias Reuters um homem que participou dos incidentes no bairro londrino de Hackney (Zona Leste). O jornal Independent, de linha liberal, disse que - este perturbador fenômeno precisa ser entendido como uma conflagração agressiva por parte de uma subclasse social e economicamente excluída. O direitista Daily Telegraph foi menos tolerante. - Os bandidos devem ser ensinados com dureza a respeitar a lei. Esses distúrbios envergonharam a nação, e o governo deve ser responsabilizado. Os distúrbios começaram no sábado, após um protesto pacífico contra a morte de um homem, afro-caribenho, baleado num incidente com policiais. Em seu pronunciamento, Cameron não fez referência aos problemas sócio-econômicos nos bairros mais pobres, mas admitiu que - há bolsões na nossa sociedade que não estão apenas quebrados, mas francamente doentes. O premiê conservador costuma dizer que consertar a Grã-Bretanha quebrada é uma prioridade do seu governo. Nos quatro dias de distúrbios, mais de mil pessoas foram detidas – a mais jovem de apenas 11 anos. Só em Londres foram 805 detenções. Em Birmingham, a polícia abriu inquérito para investigar a morte de três muçulmanos atropelados em meio aos distúrbios. Os homens aparentemente participavam de um grupo de anglo-asiáticos que se organizara para proteger seu bairro de saqueadores.
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