Milhares de chineses quebraram vidraças e atiraram pedras contra a embaixada japonesa e a residência do embaixador em Pequim no sábado, em um protesto contra o passado bélico do Japão e por sua candidatura a um posto permanente no Conselho de Segurança da ONU.
Os manifestantes romperam um cordão policial nos portões da residência do embaixador japonês, atirando pedras e garrafas de água contra o prédio e gritando "porco japonês, venha para fora!".
Cerca de 500 policiais paramilitares, portando escudos de plástico, correram para o terreno e ergueram barricadas nos portões. Os manifestantes atiraram pedras e tijolos na residência, enquanto gritavam para a polícia que "os chineses não deveriam proteger japoneses".
O sentimento antinipônico vem aumentando na China desde terça-feira, quando o Japão aprovou um livro que os críticos dizem que encobre as atrocidades cometidas pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial. Muitos chineses sentem que o país não admitiu suas agressões de guerra.
Os manifestantes, que dizem ter se organizado pela Internet, estavam fazendo uma passeata pacífica sob pesada guarda policial. Mas um grupo começou a atirar garrafas e pedras quando passou por um restaurante japonês, quebrando as vidraças com as telhas que retiraram do estabelecimento antes que a polícia interviesse.
Um outro restaurante japonês foi atacado durante a tarde. Os manifestantes também atacaram uma filial do Banco de Tóquio-Mitsubishi, quebrando vidraças do local antes de a polícia chegar.
Outro grupo em frente à embaixada, no sudeste de Pequim, atirou pedras e garrafas de água quebrando janelas do complexo, disse um fotógrafo da Reuters. Alguns manifestantes entraram em confronto com a polícia.
A violência provocou um protesto oficial em Tóquio do vice-chanceler japonês Shotaro Yachi, que pediu ao governo chinês que reforce a segurança, disse a agência Kyodo.
- O Japão não encara sua história - reclamava Cheng Lei, 27, um dos manifestantes.
- Queremos mostrar nossos sentimentos para que o governo japonês saiba o que achamos.
A polícia não quis dizer quantos manifestantes foram às ruas, mas a agência de notícias oficial Xinhua estimou o número em mais de 10 mil pessoas.
Manifestantes atacam alvos japoneses na China
Sábado, 09 de Abril de 2005 às 07:51, por: CdB