Centenas de simpatizantes da organização xiita Hezbollah e de seus aliados pró-Síria exigem a renúncia do gabinete comandado por Siniora, argumentando que depois da renúncia de seis ministros oposicionistas, o governo passou a ser inconstitucional.
Os manifestantes prometem ficar acampados até que o governo renuncie. Siniora diz que não aceitará as pressões e que não renunciará. Alguns de seus ministros foram se juntar a ele na sede do governo, protegidos pelo Exército.
O governo libanês está fragilizado depois que vários ministros deixaram os seus cargos e depois do assassinato do ministro Pierre Gemayel, um eminente político anti-Síria.
Protestos
Nesta sexta, o Hezbollah organizou uma grande passeata, mobilizando suas forças de segurança para proteger a multidão, e por outros grupos de oposição ao premiê.
Os manifestantes se concentraram em torno do gabinete de Siniora horas antes de o protesto começar, carregando bandeiras libanesas e gritando slogans como "Queremos um governo limpo".
- Nós viemos a Beirute pedir a queda do governo que monopolizou o processo decisório e não fez nada por nós - disse à agência France Presse Tatiana Atieh, partidária de Aoun, que viajou do norte do Líbano à capital para participar da manifestação.
Início
Segundo o correspondente da BBC Jon Leyne, esta pode ter sido a primeira de muitas noites de protesto até que o governo de Siniora renuncie.
Ele diz que os atuais protestos são bastante similares aos que levaram o próprio Siniora ao poder, cerca de 18 meses atrás, quando diminuiu a influência síria no país.
Segundo Leyne, os manifestantes levaram suprimentos de água, rádios e até instrumentos musicais para passarem o tempo.
"Intimidação"
O premiê libanês disse que nenhuma tentativa de tirá-lo do poder à força terá sucesso, adicionando que se trata de uma "tentativa de golpe".
- A independência do Líbano está ameaçada e todo os sistema democrático está em perigo - disse, na última quinta-feira.
Os Estados Unidos descreveram as pressões de do Hezbollah como "intimidação". Segundo o embaixador americano das Nações Unidas, John Bolton, se trata de uma "tentativa de golpe inspirada pela Síria e pelo Irã".
De acordo com a legislação libanesa, a renúncia ou o assassinato de outros dois ministros irão automaticamente causar a queda do governo.