Sábado, 08 de Fevereiro de 2014 às 14:50, por: CdB
Uma espécie de rojão atingiu a cabeça do cinegrafista da Band Raposo disse que passou o rojão para outro manifestante
Perante os policiais, o tatuador Fábio Raposo assumiu, na madrugada deste sábado, que passou para um manifestante o artefato que atingiu um cinegrafista da Rede Band TV, durante manifestação realizada em frente à Central do Brasil, no Centro do Rio, nesta quinta-feira. O depoimento foi acompanhado por dois jornalistas do site G1, de propriedade das Organizações Globo. Segundo os repórteres, "o jovem afirmou ter ficado assustado com a repercussão do caso e disse que foi pressionado a admitir a participação no caso".
– Meu nome é Fábio. Eu estava na manifestação contra o aumento das passagens. Sim, era eu. As fotos que foram apresentadas nas mídias era eu sim. Eu era o de camisa, bermuda e tênis, com as tatuagens, era eu sim. Era eu passando o artefato para o outro indivíduo, mas o artefato não era meu, eu quero deixar isso bem claro. O artefato não era meu – afirma o militante do grupo black bloc, que possui tatuagens na panturrilha.
Ele relatou o momento em que manuseou o artefato.
– Logo que eu cheguei, houve um corre-corre. Eu fui até lá para ver o que tinha acontecido. Estava tendo um confronto entre manifestantes e alguns policiais militares. Daí jogaram uma bomba de gás lacrimogêneo próximo a mim. Eu coloquei a minha máscara de gás, que é mais para minha proteção mesmo, porque machuca o peito e arde o rosto, e foi isso. Eu cheguei, fui até lá, vi que estava tendo um confronto entre a polícia e os manifestantes. Nesse corre-corre, eu vi que um rapaz correndo deixou uma bomba cair. Uma bomba, não sei o que é, um negócio preto assim. Daí, eu peguei e fiquei com ela na mão. Esse outro cara veio e falou para mim: ‘Passa aí para mim, que eu vou e jogo. Eu vou e jogo’. Eu peguei e passei para ele. Foi só isso mesmo – disse aos policiais.
Raposo, no entanto, disse que participa de manifestações forma pacífica.
– Eu em momento algum vou para as manifestações para quebrar as coisas e bater em policial, jogar pedra, não sei. É isso. Não fui eu, eu não tive a intenção de machucar nenhum repórter. Só estou vindo aqui mesmo porque estou assustado demais. A minha foto foi divulgada até em mídias internacionais. Já recebi ligações de pessoas desconhecidas, não sei se são grupos ou o que são, pedindo para eu assumir o caso e falar que fui eu, tentando me obrigar. É isso. Não fui eu mesmo. Eu quero o bem do repórter que está em coma, a família dele, tudo. Não sei o que falar, mas é isso. Melhoras, cara – afirmou.
Raposo afirmou que não conhece o jovem que pegou o artefato e o viu somente na manifestação.
– Ele era um cara alto, chamava bastante atenção. Ele estava com uma camisa na cara, preta. Ele chamava bastante atenção, mas não tenho ideia de quem seja. Eu fui sozinho na manifestação – lembrou.
O cinegrafista esta sedado e respira por aparelhos. Segundo o hospital, ele teve afundamento de crânio e passou por uma cirurgia na cabeça, que durou quatro horas, e que os médicos avaliaram como bem sucedida. Segundo informações da Secretaria municipal de Saúde (SMS), com esta cirurgia foi possível conter a hemorragia na cabeça e controlar a pressão no crânio.
Veja as imagens da manifestação:
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.