Rio de Janeiro, 17 de Agosto de 2026

Manifestações no Egito reúnem representantes de todos os segmentos e pedem a saída de Mubarak

Terça, 01 de Fevereiro de 2011 às 11:10, por: CdB

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01/02/2011Manifestações no Egito reúnem representantes de todos os segmentos e pedem a saída de Mubarak

BBC Brasil

Brasília - Mais de 100 mil pessoas participaram da manifestação de hoje (1º), promovida pela oposição ao governo do Egito, no Cairo. Também houve protestos nas cidades de Alexandria e Suez. De acordo com a oposição, foi a maior manifestação já organizada contra o presidente egípcio, Hosni Mubarak. Líderes do protesto, incluindo o oposicionista e prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, pediram que Mubarak deixe o poder até sexta-feira (4).

Nos protestos havia famílias com crianças, estudantes, trabalhadores assalariados e profissionais liberais, além de mulheres muçulmanas tradicionalmente vestidas, inclusive tampando o rosto por inteiro, deixando apenas os olhos de fora. Algumas pessoas carregavam símbolos religiosos do Islã e do Cristianismo, junto com cartazes pedindo a saída do presidente.

A oposição esperava reunir um milhão de pessoas nas marchas. Porém, não há um cálculo preciso sobre o número exato de participantes de todas as manifestações. Um comunicado dos militares pediu às pessoas que se aglomeravam na praça Tahrir, ponto de encontro das passeatas, que se lembrassem que o mundo está assistindo ao Egito pela TV. Por isso, os manifestantes deveriam aparecer de uma maneira "positiva" e "pacífica".

Para as Nações Unidas, com base em dados de organizações não governamentais, cerca de 300 pessoas foram mortas desde o início da onda de protestos contra o governo. Também foram registrados mais de 3 mil feridos e dezenas de manifestantes foram presos.

No que foi visto como uma concessão do governo aos manifestantes, a TV egípcia veiculou um aviso dos militares alertando que serão contra “qualquer ato que desestabilize a segurança do país”. Mas os militares garantiram, no comunicado, que “não estão [usando] e não vão usar força contra o público”, acrescentando que as demandas da população são legítimas.

Em Alexandria, há milhares de muçulmanos, cristãos e membros de distintas facções políticas entre os manifestantes que pedem a saída de Mubarak. Houve pequenos conflitos entre aliados do presidente, que tentaram confiscar equipamentos dos jornalistas, mas os grupos pró-Mubarak estão em número muito menor que os opositores.

A TV estatal, no entanto, mostrou imagens de protestos pró-Mubarak. Como as câmeras da televisão mostravam imagens fechadas não foi possível estimar a quantidade de manifestantes que foram às ruas apoiar o presidente. No entanto, eles diziam não aos distúrbios e queixavam-se da paralisação da economia egípcia em meio aos protestos.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou um representante especial, Frank Wisner, para o Egito. Wisner deve se encontrar ainda hoje com Mubarak. A ideia é reforçar a mensagem de Washington de que o país precisa de mudanças reais. A Casa Branca reuniu especialistas para avaliar formas de lidar com a crise egípcia. Há informações de que o governo americano tem dúvidas sobre o que fazer caso Mubarak se recuse a deixar o poder.

Edição: Vinicius Doria

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