Completa, nesta sexta-feira, um ano da chacina que vitimou 29 pessoas nos municípios de Nova Iguaçu e Queimados. Neste dia, parentes das vítimas, moradores e organizações civis celebram a passagem da data e lembram o abandono em que as duas cidades e os parentes das vítimas continuam mergulhados. As 50 entidades que integram o Fórum Reage Baixada, entre elas a Associação dos Familiares e Amigos das Vítimas de Violência na Baixada Fluminense (Afaviv), o Viva Rio, o SOS Queimados e a UERJ, tomam as ruas de Nova Iguaçu, às 9h, logo após a missa de um ano na Igreja Sagrada Família. O dia ainda será marcado por um debate às 15h, na Casa de Cultura, com a presença de autoridades do governo para a entrega do documento "Impunidade da Baixada", um amplo relato sobre o último ano na região, e por uma missa às 19h, em Queimados.
A caminhada parte, às 9h, da Igreja Sagrada Família até a Rua Gama onde haverá um momento para reflexão, seguindo, logo após, até o CIEP Douglas Brasil que recebeu o nome em homenagem ao menino de 14 anos morto enquanto jogava fliperama no Bar Caíque. Na parte da tarde, às 15h, acontece o debate para discutir melhorias para a Baixada e apoio aos familiares das vítimas. O debate contará com as presenças confirmadas do prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, do prefeito de Queimados, Rogério do Salão, ministro de Direitos Humanos, Paulo de Tarso Vannuchi, e do diretor-executivo do Viva Rio, Rubem César Fernandes. Também foram convidados para o evento o secretário estadual de segurança, Marcelo Itagiba, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o comandante da Polícia Militar da Baixada e os promotores do caso.
Durante o debate será apresentada a versão atualizada do relatório Impunidade na Baixada e a carta Grito Pela Paz. Produzido pelo Fórum Reage Baixada, a primeira versão do documento foi enviado a órgãos como o Ministério da Justiça, o Congresso Nacional e os governos estadual e municipais do Rio, cinco meses após o crime. Além de uma profunda avaliação da região, o relatório sugeria 29 ações para a melhoria da Baixada. A comissão ainda aguarda respostas das autoridades.
Na nova versão, foi incluído o pedido de um pacto da sociedade pela paz em homenagem ao único sobrevivente do crime, Cledivaldo Humberto Silva, 47, completamente desamparado pelos governos. As manifestações que acontecem na sexta-feira são estimuladas pela demora no cumprimento das promessas de ajuda feitas pelos governos federal e estadual e pela prefeitura de Nova Iguaçu. Até hoje, os parentes das vítimas receberam quase que nenhuma atenção das autoridades. Desde a Chacina, o governo do estado entregou somente 3 cestas básicas e não concedeu nem as primeiras pensões aos sobreviventes (direito aprovado pela Assembléia Legislativa e publicada no Diário Ofical).
Programação:
* Missa de 1 ano na Igreja Sagrada Família, às 8h
Rua Raimundo Brito de Oliveira, s/nº, Nova Iguaçu, tel: 3101-0849,
* Caminhada, às 9h
Saída da Igreja Sagrada Família , percorrendo a Rua Gama até o CIEP Douglas Brasil, Nova Iguaçu
* Debate na Casa de Cultura, às 15h
Rua Getúlio Vargas, 51, Centro, Nova Iguaçu (ao lado do antigo Fórum)
* Exibição do documentário sobre a chacina, produzido pelo Observatório das Favela, e missa de 1 ano na Praça da Bíblia, Campo da Banha, Queimados, às 19h