Cerca de dois milhões de pessoas participaram no sábado de manifestações da oposição em Taiwan, em uma demonstração de força do candidato nacionalista Lien Chan na disputa para tirar o cargo do presidente Chen Shui-bian.
Envolvido numa disputa acirrada, Lien espera que as manifestações tirem a vantagem do Partido Progressista Democrático, do presidente Chen, que fortificou sua campanha e diminuiu a vantagem de Lien depois que dois milhões de partidários formaram uma corrente humana ao redor da ilha no dia 28 de fevereiro.
``Mude o presidente, salve Taiwan'', gritavam os manifestantes, empunhando bandeiras de Taiwan e cartazes do Partido Nacionalista.
No último final de semana antes das eleições presidenciais do dia 20 de março -- é apenas a terceira vez que a ilha escolherá seu líder pelo voto direto --, Lien reuniu enormes multidões para tentar recuperar o fôlego antes do pleito.
``Hoje, todas as pessoas de Taiwan se levantaram. Mais de 2,3 milhões de concidadãos, irmãos e irmãs'', disse Lien em um discurso para uma multidão de milhares de pessoas reunidas em frente ao palácio presidencial em Taipei.
``Nosso desejo é o de trocar o presidente e salvar Taiwan'', disse o candidato em meio a aplausos.
Muitos taiwaneses culpam o presidente Chen pela desaceleração na economia desde que assumiu o cargo, em 2000. O desemprego é de 4,7 por cento no país.
Há poucas diferenças entre os dois candidatos, com a exceção da política em relação à China. Chen defende a postura agressiva de que Taiwan é independente, enquanto Lien é a favor de uma abordagem mais conciliatória diante do país vizinho.
A China considera Taiwan uma província rebelde que precisa ser recuperada à força, se necessário.
``A República da China é um país soberano e independente, e insistimos no fato de que não podemos ser engolidos ou reunidos ao povo da República da China'', disse Lien, acrescentando que espera retomar o diálogo com o governo chinês, interrompido 1999.
No entanto, o candidato aproveitou a oportunidade para falar dos 500 mísseis direcionados pela China contra Taiwan.
``A República da China não pode dialogar com a ameaça da força. Pedimos à China comunista que comece imediatamente a retirar os mísseis colocados em direção de Taiwan'', disse Lien.