A polícia isolou, nesta quinta-feira, bairros inteiros de Melbourne, a segunda maior cidade da Austrália, para evitar que manifestantes cheguem perto do local onde será realizada a cúpula anual do G20, que reúne ministros de finanças e autoridades de bancos centrais neste fim de semana. Manifestações antiglobalização violentas marcaram o Fórum Econômico Mundial em Melbourne em 2000.
A polícia colocou barricadas de metal ao redor do hotel onde as principais autoridades do setor de finanças do mundo vão se reunir, e advertiu os manifestantes a não agirem contra a lei. Manifestantes de grupos antiglobalização, igrejas e organizações de ajuda pretendem fazer ações diretas e protestos durante três dias, a partir da sexta-feira, quando os ministros e autoridades de bancos chegam.
O G20 representa 20 países industrializados e em desenvolvimento, de potências como Estados Unidos e China a países como México e Indonésia. O encontro é realizado anualmente para debater a economia mundial e o comércio. O encontro será realizado no hotel Grand Hyatt no sábado e domingo. A polícia bloqueou diversas ruas ao redor do local.
- Eu não traria um carro para a cidade. A cidade vai ficar parada - disse o superintendente da polícia Mick Williams.
O porta-voz do Stop G20, Marcus Greville, disse que espera a participação de dezenas de milhares de pessoas na manifestação de sábado, mas acrescentou que não espera ver violência.
- Isto é um ato político, não se trata de transformar a vida das pessoas em uma tragédia. Vamos fazer tudo para evitar que a polícia reprima, como fez em 2000 - disse.
O site Stop G20 disse: "Não temos tempo para fantasias de machismo violento ou ilusões sobre (Mahatma) Ganhdi... Queremos ser espertos, alegres e desafiadores, não mártires."
Outros grupos planejam eventos, incluindo um festival de música, vigílias de meditação e um Mercado Além do Capitalismo, com animais e leitura de tarô. O secretário do Tesouro australiano, Peter Costello, disse que o encontro Melbourne G20, que reúne grandes produtores de petróleo, como Arábia Saudita e Rússia, com grandes consumidores, como China e Índia, vai debater meios de garantir segurança de energia e recursos.
Mas grupos de ajuda estão pedindo para os ministros do G20 aumentarem a luta global contra a pobreza, dizendo que 30 mil crianças morrem por dia em decorrência da pobreza.
- Saudamos o G20, mas será uma oportunidade perdida se temas domésticos, como preços de petróleo, dominarem o G20, no momento em que vidas de pessoas estão em risco - disse o reverendo Tim Costello, co-presidente da coalizão Make Poverty History (Transforme a Pobreza em História).
O grupo, formado por grupos de ajuda e igrejas, está pedindo perdão de dívidas e mais auxílio para aliviar a pobreza, por meio de educação e investimentos em países pobres. Costello, irmão do secretário do Tesouro australiano, pediu para que a Austrália assuma a liderança no encontro em Melbourne e garanta perdão bilateral de dívidas da Indonésia e das Filipinas, suas vizinhas.
- O dinheiro economizado em pagamentos poderia salvar as vidas de mais de 20 mil crianças somente na Indonésia se fosse direcionado a programas de saúde infantil - disse.