Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Manifestação por 'dia da partida' de Mubarak reúne multidão no Cairo

Milhares de egípcios deram início nesta sexta-feira à manifestação que está sendo chamada de "dia da partida", exigindo pelo 11º dia consecutivo a saída do presidente Hosni Mubarak após 30 anos no poder.

Sexta, 04 de Fevereiro de 2011 às 09:58, por: CdB
11020protest_tahrir_466x262_afp_nocredit.jpg
Milhares de egípcios deram início nesta sexta-feira à manifestação que está sendo chamada de "dia da partida", exigindo pelo 11º dia consecutivo a saída do presidente Hosni Mubarak após 30 anos no poder. Soldados do Exército - mobilizados em maior número nesta sexta-feira do que em protestos anteriores - formaram um cordão de proteção em torno da Praça Tahrir, no Centro do Cairo, epicentro dos protestos. A ONU estima que mais de 300 pessoas já tenham morrido desde o início das manifestações no Egito, no dia 25 de janeiro. Após a realização das rezas de sexta-feira, que ocorreram de forma pacífica, a multidão começou a gritar palavras de ordem pedindo a saída de Mubarak. Na véspera, Mubarak concedeu sua primeira entrevista desde que os protestos começaram. Falando à rede de americana TV ABC, Mubarak disse que gostaria de renunciar imediatamente, se disse "cansado" de estar no poder, mas afirmou que sua renúncia mergulharia o Egito no caos. O presidente afirmou que o principal grupo de oposição islâmica do país - a Irmandade Muçulmana - preencheria o vácuo de poder deixado por sua ausência. Mubarak afirmou ainda que ficou abalado com os protestos violentos no centro do Cairo. “Fiquei muito decepcionado com os eventos de ontem (quarta-feira). Não quero ver egípcios brigando uns com uns outros”, afirmou Mubarak. O governo dos Estados Unidos diz ter aberto diálogo com lideranças políticas do Egito sobre planos de uma transição imediata de poder no país. Uma das opções consideradas seria Mubarak ceder o cargo para um conselho constitucional formado por três pessoas. Autoridades americanas não negam esta possibilidade, mas deixam claro que diferentes alternativas estão sendo consideradas, e que qualquer decisão deve ser tomada pelo povo egípcio. Horas antes, enquanto os confrontos entre manifestantes pró e contra o governo do Egito tomavam conta do centro do Cairo, o novo vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse que convidou a Irmandade Muçulmana para dialogar. Entretanto, segundo disse Suleiman em entrevista à TV estatal egípcia, os membros do grupo estariam “hesitantes" em relação ao convite. A Irmandade Muçulmana, o maior e mais organizado grupo de oposição no Egito, é oficialmente proibida, mas tolerada pelo governo, e seus integrantes concorrem em eleições como candidatos independentes. Jornalistas Os protestos violentos no Cairo e em Alexandria foram marcados também por reclamações feitas por vários jornalistas estrangeiros que teriam sido hostilizados e agredidos por manifestantes pró-Mubarak. Outros repórteres foram detidos pelas forças de segurança ou tiveram seus equipamentos confiscados. Entre os repórteres detidos estavam profissionais brasileiros. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil protestou na quinta-feira contra a detenção dos jornalistas brasileiros Corban Costa, da Rádio Nacional, e Gilvan Rocha, da TV Brasil, que estavam no Cairo - onde foram detidos, liberados e depois encaminhados ao aeroporto para retornar ao Brasil. O Itamaraty diz esperar que "as autoridades egípcias tomem medidas para garantir as liberdades civis e a integridade física da população e dos estrangeiros presentes no país."
Tags:
Edições digital e impressa