Rio de Janeiro, 08 de Outubro de 2026

Manifestação pela redução dos juros reúne 2 mil trabalhadores em São Paulo

Quarta, 21 de Janeiro de 2009 às 16:00, por: CdB

Cerca de 2 mil trabalhadores ligados a seis centrais sindicais participaram nesta quarta-feira, de manifestação em frente ao prédio do Banco Central, na Avenida Paulista, pedindo que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa básica de juros (Selic). O número de manifestantes foi calculado pela Polícia Militar.

Segundo as centrais sindicais, a redução da taxa de juros é uma das medidas que o governo deve tomar para conter as demissões, garantindo o emprego dos trabalhadores para que o consumo continue aquecendo a economia. Os manifestantes partiram de três pontos da cidade e terminaram na Avenida Paulista. Se as reivindicações não forem atendidas, os sindicalistas prometem continuar com os protestos.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino, a crise econômica global já acarretou demissões no setor financeiro – na semana passada, foram demitidos 400 funcionários do Santander e 100 do HSBC.

- É um setor que não está em crise, continua lucrando. Eles [bancos] estão aproveitando a crise para demitir os trabalhadores, e isso nós não aceitamos - disse.

Marcolino disse que o sindicato está tentando negociar com as empresas, mas, ao mesmo tempo, planeja paralisações para pressionar os bancos a pararem de demitir. Só em São Paulo, existem 134 mil bancários. No país, eles são estimados em 400 mil.

Para o secretário de Política Sindical da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, o fato de o Copom manter a taxa de juros alta tem atrapalhado o crescimento do país. É preciso enxergar que, diante da crise, o mundo inteiro está reduzindo as taxas de juros, disse ele.

- Temos capacidade de trazer para a prática a mensagem do presidente Lula de consumo, crescimento, investimento, de acreditar no país. Queremos influenciar o Copom mostrando a indignação da sociedade brasileira contra essa visão conservadora - destacou Freitas.

O vice-presidente da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil, José Avelino Pereira, ressaltou que reduzir os juros significa voltar a gerar emprego e fazer girar a economia. Além de reduzir nesta quarta-feira a taxa, ele acredita que o Copom direcione a ata da reunião para novas reduções nas próximas reuniões.

- Esperamos que a queda da taxa de juros barre as demissões e gere mais empregos, mas só isso não resolve. Precisamos abaixar também os impostos, liberar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços [ICMS] - disse. 

Pereira disse que o governo federal deve também ouvir os governadores para saber como ajudas os estados.

O metalúrgico Thiago Fernandes Oliveira, de 23 anos, que participou da manifestação na Avenida Paulista, trabalhava até ontem na unidade da GM em São Caetano do Sul, mas foi surpreendido com a suspensão de seu contrato, que valia por um ano. Ele contou que, por volta de 1h da madrugada, em uma reunião com os supervisores, cerca de 1,6 mil funcionários foram informados da suspensão do terceiro turno de trabalho.

Os funcionários ficarão em casa recebendo o salário até o contrato acabar.

- Disseram que conforme fosse vencendo o contrato, a maioria em março e abril, se [a situação] melhorar, eles chamam de volta, mas não deram muita esperança. A sensação é difícil de descrever. Eu tinha vários planos que terão que ser adiados - afirmou.

Um dia após o fim das férias coletivas na unidade da GM em São Caetano do Sul, a licença remunerada foi concedida aos funcionários por causa da diminuição da atividade industrial em geral e, particularmente, no setor automobilístico. Ainda segundoa empresa, a medida foi tomada para adequar os níveis de produção à demanda prevista.

Nota da GM informa que a empresa comunicou, no último dia 19, sua decisão ao Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano do Sul, informando que a empresa cumprirá os termos de todos os contratos de trabalho firmados por prazo determinado. “No caso de uma retomada das vendas, a empresa avaliará a conveniência de renovar os respectivos contratos”, diz a nota.

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