Mesmo sob forte chuva, cerca de 1.200 pessoas compareceram à manifestação promovida pelos estudantes, do Campo Grande à Praça Municipal de Salvador, conforme avaliação do tenente-coronel da PM Manoel Patrício, responsável pelo diálogo com os manifestantes.
A passeata pacífica reuniu universitários, secundaristas, alunos de ensino fundamental, cursos técnicos profissionalizantes, supletivos e cursinhos pré-vestibular, além de representantes da União da Juventude Socialista (UJS), Movimento Ruptura Socialista (MRS) e partidos políticos.
Além da revogação do aumento, outros pontos foram incluídos na pauta de reivindicações estudantis. Entre eles a meia passagem no ferry-boat para estudantes da capital que comprovem morar na Ilha de Itaparica e o cumprimento da lei estadual que garante, desde 1990, a meia passagem para o transporte interestadual na região metropolitana.
Os estudantes também querem gratuidade na primeira via do smart-card e garantia de quatro passagens diárias para secundaristas e seis para universitários.
A concentração no Campo Grande teve início às 10h. Na praça, eles discursaram, reafirmando as razões do movimento e a ausência de líderes. Houve vaias durante discursos de representantes de partidos políticos, entidades socialistas e organizações estudantis.
Artistas de rua aproveitaram a oportunidade de mostrar o seu trabalho, como Loloca, que trouxe uma perfomance sobre o uso do conhecimento para andar de ônibus sem pagar nada.
Por volta das 11h, os estudantes partiram a pé para a prefeitura, passando pela Praça Castro Alves e Rua Chile. Cantaram o Hino Nacional e Pra não dizer que não falei de flores, de Geraldo Vandré. Comerciantes e pedestres pararam para assistir à caminhada, que ocorreu sob chuva grossa.
Em frente à prefeitura, um cordão de isolamento formado por policiais militares conteve os manifestantes. A PM também isolou as entradas da Câmara Municipal de Vereadores, inclusive do anexo, junto à prefeitura.
Conforme o tenente-coronel Patrício, o prefeito Antonio Imbassahy aceitou receber uma comissão de oito alunos. Esperou até às 13h, mas os manifestantes demoraram até às 15h para definir quem seriam os representantes.
Segundo alguns deles, o motivo da demora seria a necessidade de formar uma comissão legítima que represente o movimento. A diretriz geral era que a comissão estudantil não deveria fechar acordo algum, apenas apresentar as reivindicações e pedir garantias de que a passagem voltasse a custar R$1,30.
Até às 16h, não houve paralisação de passagem de ônibus em nenhum ponto da cidade. Nos principais locais de paralisação, como Iguatemi, Costa Azul e Estação da Lapa, dezenas de policiais esperavam a possível chegada de manifestantes. Também não houve bloqueios nas portas das garagens dos ônibus, como grupos de estudantes tinham agendado.
Manifestação pacífica conta com 1.200 pessoas em Salvador
Quarta, 10 de Setembro de 2003 às 23:25, por: CdB