Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Manifestação em São Paulo vai pedir legalização do aborto

Uma manifestação pelo direito ao aborto será realizada no fim da tarde desta segunda, em São Paulo, em frente à Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital. Aproveitando as comemorações do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, o movimento pretende lutar pela legalização do aborto e por seu atendimento no sistema público de saúde. (Leia mais)

Segunda, 28 de Maio de 2007 às 08:20, por: CdB

Uma manifestação pelo direito ao aborto vai ser realizada nesta segunda, às 16h, em São Paulo, em frente à Praça Ramos de Azevedo, no centro da capital. Aproveitando as comemorações do Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher, o movimento pretende lutar pela legalização do aborto e por seu atendimento no sistema público de saúde.

Segundo Sônia Coelho, assistente social e integrante da Sempreviva Organização Feminista (SOF), o movimento também pretende lançar o Comitê de Luta pela Legalização do Aborto, com a união de várias entidades e organizações sociais como a Marcha Mundial de Mulheres, a União Brasileira de Mulheres, a Liga Brasileira de Lésbicas e o Fórum Estadual de Mulheres Negras-RJ, entre outras.

- Esse não é um ato massivo. É um ato mais de liderança - explicou Sônia Coelho. De acordo com ela, a manifestação será realizada com poucos discursos, enfatizando o diálogo com as pessoas nas ruas e as performances musicais e teatrais. A expectativa da organização é de que cerca de 200 pessoas participem do movimento.

Para a assistente social, o aborto não é apenas uma questão de saúde pública. - Um aspecto fundamental para nós é que as mulheres tenham o direito de decidir sobre a sua vida, tenham direito à autonomia, à autodeterminação. Tem também esse outro aspecto que é o fato de que o aborto clandestino penaliza principalmente as mulheres mais pobres e negras porque quem tem dinheiro, na nossa sociedade, faz aborto tranqüilamente numa clínica ou hospital, com o seu médico particular. As mais pobres acabam morrendo ou ficando com seqüelas - afirmou Coelho, lembrando que, no Brasil, ocorrem mais de um milhão de abortos por ano.

- Nós não defendemos o aborto como método contraceptivo - afirmou a assistente social. - Mas em uma gravidez indesejada, acreditamos que o último recurso tem que ser o aborto e não a imposição daquela gravidez para a mulher como forma de castigo ou qualquer outra coisa - concluiu.

Coelho afirmou que o movimento das mulheres tem a intenção de se reunir todo dia 28 de cada mês, até setembro, quando se comemora o Dia Latino-Americano de Luta pela Legalização do Aborto. Além de manifestações em ruas da capital, o grupo planeja realizar debates em universidades e fazer oficinas em bairros da periferia paulistana.

Também está na pauta do movimento solicitar ao Executivo que apóie a aprovação de projeto, proposto em 2005 pela Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, que pede a descriminalização do aborto praticado até a 12ª semana de gestação. - Também queremos que o Executivo tenha ações de educação e formação dos trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) para que atendam dignamente as mulheres que fazem aborto clandestino - disse Sônia Coelho.

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