Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Manifestação em Londres lembra as vítimas da guerra no Iraque

Milhares de manifestantes reuniram-se em Londres, neste sábado, para lembrar os mortos da guerra no Iraque e advertir o mundo que o sofrimento causado pelo conflito ainda não terminou. As pessoas, muitas carregando cartazes exigindo o "fim da ocupação no Iraque", encontraram-se na Praça do Parlamento, onde realizaram dois minutos de silêncio pelas vítimas da guerra antes de marchar em direção ao Hyde Park. (Leia Mais)

Domingo, 13 de Abril de 2003 às 05:42, por: CdB

Milhares de manifestantes reuniram-se em Londres, neste sábado, para lembrar os mortos da guerra no Iraque e advertir o mundo que o sofrimento causado pelo conflito ainda não terminou. As pessoas, muitas carregando cartazes exigindo o "fim da ocupação no Iraque", encontraram-se na Praça do Parlamento, onde realizaram dois minutos de silêncio pelas vítimas da guerra antes de marchar em direção ao Hyde Park. Em um dia claro de primavera, os manifestantes deixaram centenas de flores amarelas nos portões da residência oficial do primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Muitos disseram duvidar que o colapso do regime de Saddam Hussein leve ao fim da violência no Iraque. "Acho que a guerra não está terminando; está apenas começando", disse Sue Wyndham, funcionária de um hospital em Eastbourne, na costa sul da Inglaterra. "Eles vão agora para a Síria ou para Coréia do Norte, e para qualquer lugar onde possam usar seu poder", concluiu. O estudante Jack Darach, de 22 anos, concordou com Wyndham. "Essa é a ponta de um iceberg muito perigoso", declarou. A Grã-Bretanha vem sendo cenário de vários protestos contra a guerra no Iraque, embora nenhum tenha alcançado os níveis da manifestação realizada em 15 de fevereiro e que reuniu entre 750.000 e duas milhões de pessoas nas ruas do centro de Londres. Os organizadores da manifestação deste sábado disseram que dezenas de ônibus foram contratados em cidades de toda a Grã-Bretanha com o objetivo de reunir 250.000 pessoas. Já a Polícia londrina informou que esperava cerca de 100.000 manifestantes, ou menos. "A menos que haja uma solução pacífica e democrática, a guerra poderia se estender a outros lugares do Oriente Médio e poderíamos terminar em um conflito sem fim", disse Andrew Murray, presidente do grupo "Pare a Guerra", um dos organizadores da manifestação. Na Coréia do Sul, milhares de manifestantes se reuniram nas proximidades da embaixada dos Estados Unidos em Seul para protestar contra a guerra e contra a decisão do Governo local de enviar 600 soldados ao Golfo Pérsico para ajudar as tropas da coalizão. Outros protestos contra a guerra e a ocupação do Iraque pelas forças de coalizão dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha foram registrados em Tóquio, no Japão, e em Manila, nas Filipinas. Exilados iraquianos se reúnem Separadamente, exilados iraquianos em Londres também se reuniram para lembrar membros de suas famílias que foram presos e desapareceram durante o governo de Saddam Hussein. O encontro anual de exilados é organizado por um grupo curdo desde 1986 e tinha como objetivo pressionar o Ocidente a exigir que o Governo de Saddam providenciasse informações sobre seus parentes desaparecidos. Nada Hakki disse que centenas de pessoas, incluindo curdos e muçulmanos xiitas e sunitas, foram presos ou simplesmente desapareceram no Iraque nos últimos 25 anos. "Famílias inteiras foram arrancadas de suas casas... homens, mulheres, todos", lembrou Hakki, de dinastia curda e que viveu em Bagdá antes de se mudar para a Grã-Bretanha. "As pessoas querem encontrar seus parentes... eles não sabem se estão vivos ou mortos".

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