Uma central sindical peruana prometeu nesta terça-feira realizar protestos em ruas de todo o país, no maior desafio até o momento ao estado de emergência decretado na semana passada pelo impopular presidente do Peru, Alejandro Toledo. O ministro do Interior, Alberto Sanabria, disse que a capital, Lima, ficará sob controle militar, para evitar incidentes violentos com os 25 mil manifestantes que os organizadores esperam. - Sem dúvida, os líderes e participantes (das passeatas) não estão apenas desafiando os regulamentos do governo, mas violando a lei - disse Sanabria a uma rádio. Os professores, que estão em greve há 23 dias, decidiram participar da manifestação convocada pela Confederação Geral dos Trabalhadores Peruanos (CGTP) para as 11h em Lima (13h em Brasília). - Este é um dia nacional de luta, na qual vamos pressionar para que as exigências dos trabalhadores sejam atendidas e rejeitar o estado de emergência, para enviar os soldados de volta aos quartéis - disse o secretário-geral da CGTP, Juan José Gorriti. BAIXA POPULARIDADE Caso a central de fato reúna 25 mil pessoas na passeata de Lima, esse será o maior protesto desde que Toledo declarou estado de emergência, na terça-feira passada, para conter as manifestações. Eleito há dois anos, Toledo tem popularidade de apenas 15%, por não conseguir cumprir as promessas de melhoria econômica. A maioria dos analistas acha que Toledo vai conseguir superar a crise e cumprir seu mandato até o final, em 2006. Mas mesmo o governo admite que não tem condições de satisfazer todas as necessidades dos 27 milhões de peruanos, mais da metade dos quais vive na pobreza. Na última segunda-feira à noite, o bispo Luis Bambaren, recém-nomeado mediador do governo, manteve uma reunião com os professores, mas não conseguiu encerrar o impasse. - Estamos planejando várias ações com a CGTP, porque entendemos que o povo quer não só viver pacificamente, mas também ter seus problemas resolvidos - disse Nilver López, presidente do sindicato dos professores, que reivindica um abono salarial. López prometeu que a manifestação será pacífica. É isso o que o governo espera, principalmente porque o estado de emergência foi apontado como um fator que agravou a violência, em vez de contê-la. Na semana passada, os militantes mataram um manifestante e feriram mais de dez durante um confronto contra estudantes em Puno, no sul do país. Em todo o Peru, mais de 300 pessoas foram presas. Na terça-feira passada, militares e policiais ocuparam as praças de Arequipa, a segunda maior cidade peruana, a fim de dissolver uma greve que paralisou 80% do transporte público e fechou escolas e universidades. O Peru tem a economia que mais cresce na América Latina (5,2% em 2002), mas a população diz que não está vendo os efeitos disso. - O governo precisa entender que seu modelo econômico não só deixou o país mais pobre como tornou difícil a sobrevivência - disse o sindicalista Gorriti.
Manifestação desafia estado de emergência no Peru
Terça, 03 de Junho de 2003 às 12:08, por: CdB