A expulsão do PT da senadora por Alagoas Heloisa Helena será decidida durante a reunião do Diretório Nacional. A possibilidade gerou apelos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ameaças ao partido, música e uma serie de manifestações contrarias a expulsão.
Um manifesto assinado por 34 deputados e cinco senadores, mais do que um terço das bancadas petistas nas duas Casas, afirma: ´O segundo ano de nosso governo precisa começar bem, sem divergências cristalizadas em dissidências e sem medidas extremas como expulsões, sobretudo quando derivadas de questões que dividiram a sociedade e o próprio partido".
A Comissão de Ética do PT abriu processo contra a senadora devido à sistemática oposição ao governo federal, mas a gota d´água foi o voto contrário à reforma da Previdência.
Os parlamentares ainda têm a esperança da intervenção do presidente Lula para evitar a expulsão dos ditos radicais.
- Se o presidente Lula pede a paz até entre judeus e palestinos, propõe a paz até para quem mata e dá tiros entre entes queridos, será que não é capaz de perdoar Heloísa, só porque ela às vezes, com seu jeito entusiasmado, diz palavras ásperas, que incomodam o fígado de nossos ministros?", questionou o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Para finalizar o protesto, deputados e senadores entoaram, acompanhados por um violão, ´Pra Não Dizer Que Não Falei de Flores", de Geraldo Vandré, hino das manifestações contra o regime militar. Antes, já haviam cantado ´Comunhão", das comunidades eclesiais de base, e ´Maria, Maria", de Milton Nascimento.
Quando os parlamentares se dispersaram, dezenas de pessoas que acompanhavam o ato, realizado no Salão Verde, hall de entrada do plenário, cercaram Heloísa, que distribuiu autógrafos. Um grupo de estudantes agarrou o senador Suplicy, beijando-o, puxando sua roupa e tirando fotos.