Pelo menos dez mil manifestantes pacifistas participaram de uma passeata este sábado pelo centro de Washington, sem que incidentes fossem registrados, para protestar contra a guerra e a "ocupação" americana do Iraque. Um total de 10.000 pessoas, segundo um informações da AFP, e 25.000 segundo os organizadores, participaram da mobilização. A polícia de Washington se nega a fornecer estimativas sobre a quantidade de pessoas que comparecem às manifestações locais. Na liderança da oposição à guerra no Iraque, a organização pacifista ANSWER (Atuar agora para parar a guerra e acabar com o racismo, na sigla em inglês), que comanda há vários meses as manifestações contra a guerra, convocou uma grande passeata pelas ruas da capital americana. Ante o iminente fim da guerra no Iraque, os manifestantes tiveram que encontrar uma nova definição para a invasão, e desta vez protestaram contra "a ocupação colonial e o imperialismo", "os aproveitadores privados" da guerra e os meios de comunicação pró-guerra. O novo slogan dos manifestantes é: "A ocupação não é a libertação". "Isto não se trata de libertação, se trata da ocupação do Iraque e do roubo de seus recursos naturais", afirmou Dustin Langley, voluntário da ANSWER. A passeata passou por vários símbolos do poder: Casa Branca, FBI e Departamento de Justiça, assim como empresas acusadas de se beneficiarem da guerra - como o grupo petroleiro Halliburton, que até o ano 2000 foi comandado pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney - e alguns grandes meios de comunicação criticados por sua cobertura da guerra. "Estou aqui para me opor à dominação mundial capitalista e para pedir o fim do assassinato de pessoas inocentes", explicou Lonnie Pickens, um aposentado de 73 anos que viajou de Montclair (Nova Jersey) a Washington e que carregava um cartaz com a frase "Não ao novo colonialismo". Também estavam previstas outras manifestações nas cidades de Chicago, San Francisco e Los Angeles. A um quilômetro do ponto de reunião dos pacifistas, no Capitólio, o edifício do Congresso dos Estados Unidos, uma contra-manifestacção de apoio às tropas americanas e ao governo Bush reuniu no início da tarde quase mil pessoas, que exibiam bandeiras dos Estados Unidos, convocadas pela Fundação de Cidadãos Unidos. "Este é um momento significativo na história americana e do qual devemos estar orgulhosos", disse Bill Kristol, editor da revista conservadora Weekly Standard. "Não é o fim da guerra contra o terror (...) é o fim do começo".
Manifestação contra a guerra reúne 10.000 pessoas em Washington
Sábado, 12 de Abril de 2003 às 16:02, por: CdB