A presidente da agremiação Estação Primeira de Mangeuria, Eli Gonçalves, mais conhecida como Chininha, decidiu mostrar as instalações da escola nesta quarta-feira para negar a existência de uma passagem secreta, que seria usada pelo tráfico, apontada pela polícia depois de uma operação realizada na terça-feira no morro.
Durante a visita, no entanto, descobriu-se que existe uma casa, que teria sido alugada pelo ex-presidente da bateria, Ivo Meirelles, abaixo do camarote dos ritmistas. Em um dos cômodos, é visível a obra recente para fechar uma suposta passagem improvisada em uma das paredes que dá acesso ao morro. Uma janela aberta também permite a visão da favela.
— Somos a única escola em que a quadra está dentro do morro. Não temos alternativa. Ou continuamos aqui ou saímos e a escola perde suas raízes, sua tradição e os benefícios para a comunidade —, defendeu Francisco de Carvalho, o Chiquinho da Mangueira, que faz parte do conselho da agremiação.
Sobre a afirmação da polícia, de que teria provas de envolvimento do tráfico com a escola, Chininha alegou que não tem como impedir a entrada das pessoas, seja quem for, na quadra da escola.
— Quem investiga e tem as provas e competência para fazer isso, que faça —, disse.
Quanto ao caso do traficante Francisco Testas Monteiro, o Tuchinha, que assina como um dos compositores do samba enredo e agora está foragido, Chininha disse que quando participou da escolha do samba ele estava em liberdade. A 17ª DP (São Cristóvão) conseguiu um novo mandado de prisão contra Tuchinha.
Chiquinho da Mangueira também não negou que o traficante freqüentasse a escola.
— Dizer o contrário seria uma hipocrisia. Ele compôs um samba que foi vencedor e, certamente, estava nos ensaios —, disse.
Mangueira nega existência de passagem secreta para tráfico em quadra da escola
Quarta, 09 de Janeiro de 2008 às 19:27, por: CdB