Rio de Janeiro, 09 de Setembro de 2026

Mangueira dá show na Sapucaí

Segunda, 23 de Fevereiro de 2004 às 06:42, por: CdB

Tendo na comissão de frente seu grande trunfo, a Mangueira entrou na avenida Marquês de Sapucaí e, como sempre, agitou o Sambódromo. A recepção do público, porém, foi menos entusiasmada do que a que foi dispensada à Grande Rio, que tinha desfilado pouco antes.

O enredo Mangueira redescobre a Estrada Real, e deste Eldorado faz seu Carnaval se encaixou perfeitamente na tradição da escola de reconstituir fatos históricos. Desta vez, contou como era a antiga estrada que trazia o ouro de Minas Gerais até Paraty, no litoral sul do Rio.

Para colocar o samba na avenida, contou com apoio maciço de empresas mineiras (Fiat, Usiminas e Açominas aportaram cerca de R$ 1 milhão) e também do governo estadual, que pretende explorar o potencial turístico da estrada. O governador Aécio Neves desfilou pela terceira vez na escola.

Escondida por tendas, a comissão de frente justificou tanto mistério: representando personagens históricos de Minas Gerais, quatro bonecos presos a cada um dos 15 integrantes da ala deram a sensação de que se tratava, na verdade, de cerca de 50 componentes. Mais uma inovação do coreógrafo Carlinhos de Jesus, que costumeiramente garante a nota máxima no quesito.

Escaldado pelo meio ponto perdido no carnaval de 2003, o coreógrafo Carlinhos de Jesus evitou os efeitos especiais que marcaram os últimos desfiles e optou por uma coreografia simples mas criativa onde, segundo ele, todos os personagens mineiros estavam representados. Ligados por um cordão, grupos de bonecos fantasiados eram movimentados por bailarinos e faziam evoluções na avenida.

"Saiu tudo certo, nos trinques, tudo sincronizado", disse Carlinhos admitindo que ficou "mordido" como ponto perdido que tirou o campeonato da escola.

O excesso de dourado escondeu o tradicional verde e rosa da estação primeira e tornou monótona a sequência de 38 alas e oito carros alegóricos.

A mais esperada escola do primeiro dia de desfile caprichou no luxo dos carros alegórico que desfilaram a história de Minas e seus principais personagens, como Tancredo Neves, Juscelino Kubistchek e Carlos Drummond de Andrade, entre outros. Do alto dos carros, o cantor Milton Nascimento acenava feliz no seu retorno ao sambódromo depois de anos sem desfilar.

"Estou emocionado, fazia tempo que eu não desfilava," limitou-se a dizer, visivelmente aturdido com a confusão normal do Carnaval.

Mesmo em tons pastel demais para o gosto mangueirense e poucas surpresas na avenida, a Mangeira empolgou o público, mas não conseguiu terminar seu desfile aos gritos de "é campeã", infalível em outros carnavais.

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