Rio de Janeiro, 31 de Janeiro de 2026

Mangabeira Unger diz que Lula foi magnânimo ao convidá-lo para o cargo

Terça, 19 de Junho de 2007 às 16:00, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu posse nesta terça-feira ao filósofo Roberto Mangabeira Unger, que assume a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República, com status de ministério. Em discurso, Magabeira fez referência a críticas dirigidas por ele ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- Senhor presidente, ao convocar-me para esta tarefa o senhor demonstrou magnanimidade. Critiquei  com veemência e combati com  ardor o seu primeiro governo. A magnanimidade tem duas raízes: grandeza interior e preocupação com o futuro. Orientar-se ao futuro é antever e antecipar uma vitória sobre os constrangimentos do presente. Nas democracias, a profecia fala mais alto do que a memória -, disse Unger.

Em artigo publicado em novembro de 2005, o novo ministro afirmou que o governo Lula era "o mais corrupto da história nacional" por servir, de acordo com ele, "à compra de congressistas, à politização da Polícia Federal e das agência reguladoras, ao achincalhamento dos partidos políticos e à tentativa de dobrar qualquer instituição do Estado capaz de se contrapor a seus desmandos".

Na época, ele também afirmou ser obrigação do Congresso Nacional "declarar prontamente o impedimento do presidente". O vice-presidente da República, José Alencar, que é do mesmo partido de Mangabeira - Partido Republicano Brasileiro (PRB) - participou da cerimônia e negou ter havido qualquer constrangimento no evento.

- Ele [presidente Lula] não leva em consideração, na sua administração, coisas desse tipo. Se for preciso colocar em algum cargo um homem que possa realizar trabalho do qual ele precise, ele coloca. Foi o que aconteceu -, explicou.

Ao tomar posse, Mangabeira disse estar ciente de sua tarefa à frente do novo órgão: ajudar a engajar os setores do governo e a sociedade e apontar novos rumos para as ações do Executivo. Para alcançar o objetivo, acrescentou, será preciso ter a confiança dos brasileiros.

- No Brasil, falta somente confiança em nossa própria originalidade coletiva. Acostumamos a pedir licença para caminhar, mas os olhos da humanidade começam a voltar-se sobre nós. Há tarefa. O presente ainda nos divide, mas o futuro nos unirá -, disse.

Segundo ele, nos últimos 50 anos, surgiu no país uma nova vanguarda de emergentes e batalhadores, embora "esfomeada de acessos aos instrumentos do trabalho e do conhecimento".

Nesse sentido, disse desejar para o Brasil o estabelecimento de uma ordem econômica e política que "assegure a primazia dos interesses do trabalho e da produção e ofereça oportunidades de iniciativa e aprofundamento às mulheres e homens comuns".

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