Rio de Janeiro, 17 de Maio de 2026

Mandela ressalta legado político ao completar 87 anos

Domingo, 17 de Julho de 2005 às 10:06, por: CdB

Nelson Mandela completa 87 anos nesta segunda-feira como um símbolo cada vez mais frágil, mas com uma mensagem moral que cresce a cada ano. Ao contrário de aniversários anteriores, em que o prêmio Nobel comemorou ao lado de estrelas do cinema, membros da realeza e crianças, neste ano a data mostrará mais o legado político de Mandela do que a celebridade, dizem autoridades.

Dirigentes da Fundação Nelson Mandela dizem que o foco será nas lições de respeito humano e dignidade do líder sul-africano.

"O maior perigo é que seu legado seja entendido de maneira puramente mecânica ou em termos políticos, e esvaziada de seu humanismo", disse Mac Maharaj, ex-ministro do transporte que passou 12 anos como prisioneiro político com Mandela na famosa prisão-ilha de Robben, na África do Sul.

"Mandela tem sua força e suas fraquezas como todos nós, mas precisamos entender sua capacidade de se controlar, de ver o que precisa ser feito, e de fazê-lo".

Assessores reconhecem que Mandela - herói da luta contra o apartheid que em 1994 tornou-se o primeiro presidente negro da África do Sul - vem reduzindo suas atividades desde que deixou a vida pública, no começo deste ano.

Ele aparece em público apoiado em uma bengala ou segurando o braço de um assessor, e passa longos períodos em casa com a família, incluindo sua terceira mulher, Graça Machel, viúva de Samora Machel, presidente fundador de Moçambique.

"Acho que ele está tentando relaxar, está tentando passar mais tempo com a senhora Machel", disse John Samuel, executivo-chefe da Fundação Nelson Mandela.

Mas o homem que levou a África do Sul do domínio branco para a democracia multirracial ainda é um gigante na imaginação pública e ainda pode levar mensagens da luta contra o HIV/AIDS e pobreza a milhares.

Conhecido pelo apelido "Madiba" no interior do país, Mandela viajou para o Círculo Ártico neste ano em apoio à batalha contra a AIDS, participando de um concerto de rock norueguês como parte de sua própria campanha "46664" contra a epidemia, usando seu número na prisão do apartheid. Ele também manifestou-se contra a guerra dos Estados Unidos no Iraque e contra pobreza global - mantendo a mensagem de justiça e reconciliação nas manchetes.

TRAGÉDIA PESSOAL

Assessores dizem que Mandela continua com boa saúde para a idade, mas o ano foi difícil para sua vida privada e pública. Ele anunciou em janeiro que seu filho mais velho, Makgatho, morreu de AIDS aos 54 anos. Ele usou a tragédia pessoal para mais uma vez fazer campanha contra a doença que contaminou, segundo estimativas, 5 milhões de seus conterrâneos - o maior índice do mundo.

Sua imagem pública recebeu um raro golpe nos últimos meses, em meio a uma batalha legal pelos direitos do uso do nome Mandela. A mídia local descreveu o caso como uma luta por dinheiro entre parentes e assessores próximos.

Mas para a maioria dos sul-africanos, Mandela continua acima do bem e do mal e símbolo da esperança. A Fundação Nelson Mandela celebrará o aniversário com uma palestra na terça-feira da ambientalista queniana Wangari Maathai, também ganhadora do Nobel, e com a divulgação de uma história em quadrinhos para levar a mensagem de Mandela aos jovens.

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