A guerra global contra a Aids pode ser perdida se o mundo ignorar a tuberculose, que com frequência representa uma "sentença de morte" para pessoas contaminadas com o HIV, disse nesta quinta-feira o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.
"O mundo fez da vitória sobre a Aids seu principal objetivo. Isto é uma bênção, mas a tuberculose continua ignorada", disse ele a repórteres durante uma conferência global em Bangcoc.
Cerca de 14 milhões de pessoas estão infectadas com HIV e tuberculose, sendo que 70 por cento vivem na África subsaariana, região mais atingida pela Aids, doença que matou 20 milhões de pessoas no mundo.
O HIV, vírus causador da Aids, destrói o sistema imunológico e torna os pacientes mais vulneráveis a doenças como a tuberculose, que responde por mais de um terço das mortes por HIV/Aids no mundo.
"Não podemos vencer a batalha contra a Aids se não lutarmos também contra a tuberculose. A tuberculose costuma ser uma sentença de morte para pessoas com Aids. Não tem que ser assim", disse o vencedor do Prêmio Nobel da Paz.
Ele contou que teve tuberculose quando estava preso por lutar contra o apartheid, antes de liderar a África do Sul para a democracia, em 1994. Ele se recuperou depois de quatro meses de tratamento. Mandela disse que os recursos para a identificação e tratamento de tuberculose são poucos apesar de o mundo ter a cura para doença há mais de 50 anos.
Forte crítico do governo Bush e da guerra no Iraque, Mandela falará na sexta-feira, no fechamento da conferência em que Washington sofreu críticas por suas políticas de financiamento da luta contra a Aids e em relação a remédios.
A controvérsia sobre o apoio norte-americano a um fundo global da ONU contra a Aids, tuberculose e malária ofuscou os debates desta semana na reunião em que participam 17.000 pessoas.
A pesquisa para a epidemia de Aids e tuberculose ganhou um impulso nesta quinta-feira com a doação de 45 milhões de dólares pela Fundação Bill & Melinda Gates. A organização fundada pelo presidente da Microsoft, Bill Gates, disse que o dinheiro vai financiar estudos e estratégias para controlar a tuberculose em áreas com altos índices de infecção.