Rio de Janeiro, 19 de Maio de 2026

Mandantes do grampo telefônico serão conhecidos na próxima semana

Investigadores que trabalham na apuração do escândalo dos grampos clandestinos feitos pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia prevêem que até a próxima semana deverão ser identificados os mandantes das escutas. (Leia Mais)

Quinta, 06 de Março de 2003 às 16:26, por: CdB

Investigadores que trabalham na apuração do escândalo dos grampos clandestinos feitos pela Secretaria de Segurança Pública da Bahia prevêem que até a próxima semana deverão ser identificados os mandantes das escutas. Para isso, procuradores da República e o delegado federal Gesival Gomes dos Santos pretendem antecipar o depoimento de Mauro Alexandre Cruz, ex-funcionário de uma operadora de telefonia, que está disposto a revelar todo esquema dos grampos. "Acho que já está na hora de contar tudo", disse Cruz. O depoimento de Cruz ainda não foi marcado pela PF, mas deverá ocorrer antes mesmo dos de oito policiais civis e da ex-secretária de Segurança Kátia Alves, marcados para a próxima semana. "Eu preciso falar", afirmou Cruz, que era o responsável pela área de segurança da TIM/Maxtel, e por onde passava todos os pedidos judiciais de interceptações telefônicas. Entretanto, segundo ele, as possíveis revelações só serão feitas diante da PF. "Não vamos falar nada, por enquanto", avisou o advogado Marcelo Leonardo, que defende o técnico. Cruz foi acusado pelo assessor da secretaria Alan Souza de Farias de ter feito escutas que, apesar autorizadas pela Justiça, não tinham sido requeridas pela polícia. Os grampos, conforme a PF está investigando, poderiam ser dos telefones dos deputados Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e Nelson Peregrino (PT-BA), do ex-deputado Benito Gama, ou do casal Plácido Faria e Adriana Barreto, ex-namorada do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA). A alegação dada por Cruz, segundo Farias, seriam erros de digitação. "Alan está arrumando um jeito de se livrar", disse Cruz. Apesar de trabalhar em Belo Horizonte, Cruz fez algumas visitas a Farias a ao delegado Valdir Barbosa, indiciados como autores dos grampos. Segundo o escrivão Darthagnan Francisco Pinheiro, que trabalhava com Barbosa, o técnico da TIM/Maxtel esteve com o delegado, em Salvador, em duas ocasiões no ano passado, período em que os grampos clandestinos foram realizados. A relação entre Barbosa e as empresas de telefonia chegou a ser considerada "íntima", segundo a juíza de Itapetinga - onde foram autorizados os grampos -, Tereza Cristina Navarro Ribeiro, e a promotora da cidade, Virgínia de Alcântara Alves Silva. Até então, a PF acreditava que os depoimentos dos policiais, que devem se estender por toda a semana, seriam importantes e poderiam até mesmo incriminar a ex-secretária Kátia Alves, ligada a ACM, como a possível mandante do grampo. "Estamos procurando antecipar o depoimento de Cruz, para podermos avançar ainda mais em busca da pessoa que solicitou a escuta ilegal em torno dos parlamentares", afirmou o procurador Edson Abdon.

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