O Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta até dia 22 de junho a exposição Aproximações do Espírito Pop: 1963-68. A curadora Cacilda Teixeira da Costa delimitou um período da década de 60 e elegeu a obra de quatro artistas realizadas nesses anos: Waldemar Cordeiro, Nelson Leirner, Antonio Dias e Wesley Duke Lee. - Certamente, eles não eram os únicos, mas esses eram artistas líderes que faziam suas obras com uma lucidez artesanal que não era muito comum -, explica a curadora. O tema desta exposição está, como diz o título da mostra, na relação entre as obras desses artistas com o surgimento da arte pop, em Nova York. Como diz a curadora, foi em 1963 a "primeira eclosão do espírito pop no Brasil", quando Wesley Duke Lee realizou o happening O Grande Espetáculo das Artes. O artista misturou cinema, dança, som, fez chuvas de penas e uma exposição de desenhos no escuro, que só podiam ser vistos com a ajuda de lanternas. Duke Lee também lançou um folheto intitulado O Dragão, em que ele mesmo se descrevia como "um cavaleiro que em suas aventuras resgata o erotismo sagrado". Cacilda Teixeira da Costa delimita esse o ponto de partida. Já 1968 é o fim do período demarcado. Em dezembro desse ano, a 2ª Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, realizada em Salvador, foi fechada pelo governo, um dia após sua inauguração, por conter obras "subversivas". - Pela primeira vez um evento de artes plásticas foi interrompido pelo governo militar -, diz a curadora. Como protesto, Nelson Leirner fechou sua própria sala nessa Bienal. O momento político, logicamente, não poderia ficar de fora da obra desses quatro artistas reunidos nessa nova mostra do MAM. O pop espalhou-se de Nova York pelo mundo, a partir de obras de artistas norte-americanos como Roy Liechtenstein (1923-1997), Andy Warhol (1928-1987), Jasper Johns (1930) e James Rosenquist (1933). A apropriação de objetos de consumo, imagens da comunicação de massa, do cotidiano, foi o caminho que os artistas pop encontraram para definir esse estilo que "enfocava o imaginário popular" em contrapartida ao expressionismo abstrato. Outro ponto importante era o de redefinir o papel do espectador. O pop não podia ser visto como movimento, aqui no Brasil, porque não havia um manifesto. Nas obras selecionadas para a exposição do MAM pode-se perceber uma produção que tinha um espírito de "aproximação entre arte e vida". Os brasileiros Nelson Leirner, Waldemar Cordeiro, Antonio Dias e Wesley Duke Lee - vale dizer que este último teve formação em publicidade - lidaram, como diz a curadora, com a experiência pop, mas, ao mesmo tempo, a negavam. Em um dos depoimentos de Nelson Leirner, o artista diz que sempre foi fascinado por camelôs. Sobre o momento em que morou nos EUA, de 1945 a 50, Leirner declara que não foi a nenhum museu. - Não me interessavam os museus, me interessava ficar na Broadway, que era fascinante, era aquele anúncio de cigarro que soltava aquelas bolinhas de fumaça, o smoke Camel - disse Leirner. Ele, como os outros artistas dessa exposição, adequaram o espírito pop sem perder suas próprias autonomias. A exposição A mostra inicia-se com quatro auto-retratos. Três são simbólicos - os de Leirner, Dias e Duke Lee e o mais parecido com o gênero é o de Waldemar Cordeiro: Auto-Retrato Probabilístico, de 1967, em que há uma imagem fragmentada do artista. Depois, a exposição é composta pela reunião de "analogias de linguagens" entre as obras dos quatro artistas. Não há separações, mas, como diz a curadora, "dominações" que podem, assim, serem demarcadas: o papel do espectador, o erótico e o político - muitas vezes, se misturando, e a política das artes. No fim do percurso expositivo estará um vídeo pedagógico de 19 minutos, realizado por Sérgio Zeigler. Aproximações do Espírito Pop: 1963-68 De terça, quarta, e sexta, das 12 às 18 horas; quinta, das 12 às 22 horas; sábado, domingo e feriado, das 10 às 18 horas. R$ 5,00
MAM apresenta exposição <i>Aproximações do Espírito Pop: 1963-68</i>
Sexta, 25 de Abril de 2003 às 14:33, por: CdB