A maior parte do total de um milhão de mortes anuais por malária ocorre na África, onde a doença custa ao continente 12 bilhões de dólares por ano, disse na segunda-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).
O diretor regional do sul da África da OMS, Antoine Kabore, disse aos delegados que participam do Dia Africano da Malária - que este ano acontece na Zâmbia - que a doença está prejudicando o desenvolvimento no continente, porque afeta trabalhadores produtivos.
- A malária continua sendo grande contribuidora para o ônus das doenças na África. Cerca de 60% do número estimado de entre 350 milhões e 500 milhões de casos clínicos de malária no mundo e mais de 80% do mais de um milhão de mortes em todo o planeta por ano ocorrem na África - afirmou ele.
Participaram da celebração, normalmente festiva, autoridades da Zâmbia e delegados dos Estados Unidos, da Europa e do resto da África. O evento acabou se restringindo a apenas discursos este ano porque a Zâmbia declarou um dia de luto nacional em homenagem às 51 pessoas que morreram na explosão de uma mina na semana passada.
- A sobrecarga no sistema de saúde, as faltas à escola e a redução ou perda de produtividade dos trabalhadores contribuem para fazer da malária uma variante significativa de um crescimento econômico baixo nos países endêmicos - observou Kabore.
No domingo, o Banco Mundial anunciou em Washington que vai ampliar sua luta contra a malária porque os esforços globais para contê-la nos últimos cinco anos fracassaram. Serão necessários entre 500 milhões de dólares e um bilhão de dólares nos próximos cinco anos, afirmou a entidade.
David Brandling-Bennett, da Fundação Bill & Melinda Gates, disse à Reuters que a organização também vai aumentar sua contribuição no combate à malária na África.
As ações executadas com o orçamento de 500 milhões de dólares para 2005 serão dirigidas principalmente a mulheres grávidas e a crianças de menos de 5 anos, disse ele.
- O número de casos e de mortes aumentou nos últimos anos devido a vários fatores, incluindo o fato de que hoje temos uma resistência disseminada às drogas - declarou.
A Fundação Bill & Melinda Gates está dando apoio ao trabalho do Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), da OMS, de algumas agências internacionais e do Banco Mundial para desenvolver novos medicamentos, acrescentou Brandling-Bennett.
- O desenvolvimento de novas drogas é muito caro e não é atraente para as grandes indústrias farmacêuticas, porque quem tem malária não tem dinheiro para comprar os remédios.
Malária custa à África mais de US$12 bilhões ao ano, diz OMS
Segunda, 25 de Abril de 2005 às 12:05, por: CdB