Rio de Janeiro, 26 de Janeiro de 2026

Mal recebeu autorização para vender o pré-sal, Petrobras avalia propostas

A transação faz parte do plano 2015-16 de desinvestimentos da petroleira. Os atuais ocupantes da companhia têm anunciado a venda de ativos do pré-sal

Quinta, 06 de Outubro de 2016 às 13:22, por: CdB

A transação faz parte do plano 2015-16 de desinvestimentos da petroleira. Os atuais ocupantes da companhia têm anunciado a venda de ativos do pré-sal. A alegação é a tentativa de reduzir a dívida, com foco básico na negociação de empreendimentos que ainda demandarão muitos recursos

 
Por Redação - de Brasília e Rio de Janeiro
  A autorização do Parlamento ainda não recebeu a sanção do presidente de facto, Michel Temer, e a Petrobras já divulgou, nesta quinta-feira, que está em negociação com a Karoon Gas Australia para a venda de participação nos campos de Baúna e Tartaruga Verde, nas bacias de Santos e de Campos, respectivamente. O anúncio se tornou fato relevante, divulgado aos investidores.
petrobras-reproducao.jpgPara os signatários, Parente e seus diretores dizem que têm como missão “salvar a Petrobras”
A transação faz parte do plano 2015-16 de desinvestimentos da petroleira. Os atuais ocupantes da companhia têm anunciado a venda de ativos. A alegação é a tentativa de reduzir a dívida, com foco básico na negociação de empreendimentos que ainda demandarão muitos recursos. Disseram ser o caso de Tartaruga Verde. A Petrobras afirmou que a potencial transação envolveria a venda de 100% do campo de Baúna, localizado em lâmina d'água rasa no pós-sal da Bacia de Santos. E, ainda, 50% de Tartaruga Verde, no pós-sal da Bacia de Campos, em lâmina d'água profunda.

Concessões à larga

Atualmente, a Karoon já detém cinco concessões de exploração e produção no Brasil, segundo o comunicado. O campo de Baúna está em operação desde fevereiro de 2013 e produz atualmente cerca de 45 mil barris por dia. Já Tartaruga Verde encontra-se "em estágio inicial de desenvolvimento, com investimentos relevantes ainda a serem realizados”. Mas a Petrobras disse que continuará como operadora do campo. A estatal tem afirmado que os desinvestimentos e parcerias previstos em seu plano de negócios poderão alavancar maiores investimentos no Brasil. A expectativa é atrair novas empresas que poderiam aplicar mais de US$ 40 bilhões no setor, nos próximos dez anos. O movimento da estatal gera otimismo junto às petroleiras transnacionais. Os executivos têm se mostrado animado com a perspectiva de mudanças relevantes na legislação no governo estabelecido após o golpe de Estado, no Brasil. A presidenta Dilma Rousseff foi cassada e assumiu seu lugar o vice, Michel Temer..

Entrega do pré-sal

Os deputados que apoiam o governo Temer aprovaram, na noite desta quarta-feira, a venda do pré-sal. Na prática, a maior reserva de petróleo do país será explorada por empresas privadas. Os recursos, agora, serão drenados para o lucro das petrolíferas estrangeiros. Deixam, assim, de apoiar a educação e a saúde dos brasileiros para enriquecer os acionistas das grandes corporações transnacionais. Prioridade absoluta na agenda governo estabelecido após o golpe de Estado, em 13 de Maio último, a liberação para a venda do pré-sal foi aprovada por 292 votos contra 101e 1 abstenção. Há, ainda, algumas emendas a serem votadas, na próxima semana. A partir daí, a lei segue para a sanção do Palácio do Planalto. A sessão de sete horas de debates foi marcada pela troca de ofensas entre parlamentares contrários e favoráveis à privatização. Nas galerias, cerca de 60 manifestantes protestavam com camisas e cartazes da Federação Única dos Petroleiros (FUP). Os gritos, em coro, de “entreguistas” e “golpistas”, tomaram o Plenário na hora da votação.

Fim do pré-sal

O projeto foi apresentado pelo senador e hoje ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB). Trata-se de um dos principais articuladores do golpe de Estado. O texto aprovado encerra a obrigatoriedade de a Petrobras ser sócia obrigatória, com ao menos 30% de participação, na reserva petrolífera. Deixa, também, de ser a única operadora de todos os campos de exploração em águas profundas. Segundo a nova legislação, caberá ao Conselho Nacional de Política Energética, “considerando o interesse nacional”, oferecer à Petrobras a preferência para ser a operadora dos blocos. De acordo com analistas ouvidos pela reportagem do Correio do Brasil, as maiores exploradoras do mundo tendem a comprar os melhores campos. Representados pela Shell, as petroleiras transnacionais já fizeram contato com o governo em curso. Sob as novas regras, não escondem o objetivo de disputar os campos mais promissores, nos leilões agendados para 2017. A medida foi aprovada mesmo com os resultados dos novos poços do pré-sal. A produção nacional de petróleo bateu novos recordes em agosto, com 2,609 milhões de barris por dia. Ainda assim, o presidente da Petrobras, Pedro Parente, desdenhou dos números. Disse que tem havido “um certo endeusamento” do pré-sal. — Existe uma parte de investimentos no pré-sal que traz resultados, mas a maior parte não — desconversou.

‘Entreguista’

Para os governistas, as gestões do PT e o desvio de recursos da Petrobras “quebraram a estatal. Mas, para os parlamentares nacionalistas, as consequências serão as mais nefastas. — O que se propõe é entregar às grandes petrolíferas do mundo a primazia, a preferência para a exploração do petróleo. Qual é a consequência disso? Nós vamos retirar dinheiro da educação e da saúde. Só no campo de Libra, que é o filé mignon do pré-sal, se for aprovado o projeto a União vai deixar de arrecadar em torno de R$ 246 bilhões — afirmou o deputado José Guimarães (PT-CE). Ele foi líder do governo Dilma Rousseff na Câmara. “Esta proposta vem à tona num momento em que o governo precisa mostrar ao capital financeiro internacional que o Brasil está à venda”, acrescentou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). — O Ministro Serra é o veículo disso. Ele é candidato presidencial e ele precisa se credenciar com os outros. Isto aqui é uma entrega. É vendilhão da pátria — concluiu.
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