O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) já encontrou provas de que o mal da vaca louca voltou a atacar o rebanho norte-americano, mas precisa de até duas semanas para determinar se a suspeita de um novo caso da doença é verdadeira, disse John Clifford, veterinário-chefe do órgão, neste domingo. Clifford acrescentou que os testes serão realizados no laboratório do departamento em Ames, Iowa, e em uma instalação em Weybridge, na Inglaterra, para determinar se o animal estava doente.
O departamento comprovou, na sexta-feira, que um animal testou positivo para a doença em um exame preliminar, provocando temores de que países estrangeiros irão reagir restringindo importações de carne bovina dos EUA. O governo atesta que o animal suspeito da doença, que passou pelos primeiros testes em novembro, não entrou na cadeia alimentar humana ou de outros animais porque não podia andar quando foi encaminhado ao abate.
O único caso confirmado de encefalopatia espongiforme bovina (BSE), popularmente conhecida como doença da vaca louca, nos EUA foi encontrado em dezembro de 2003 em uma vaca leiteira de Washington. A descoberta parou bilhões de dólares em exportações de carne norte-americana. O departamento está estudando se vai esperar para fazer anúncios somente quando todos os testes terminarem, em processo que pode levar até duas semanas, disse o veterinário.
Clifford recusou-se a dizer se o animal foi abatido, nem deu detalhes sobre seu sexo ou raça.
- Não queremos divulgar esta informação - disse.
Washington informou a todos os seus enviados para agricultura em Embaixadas dos EUA sobre a suspeita. O secretário de Agricultura norte-americano, Mike Johanns, que anunciou a suspeita na sexta-feira, disse que o incidente não deve ter impacto no comércio de carne dos EUA, já muito abalado em todo o mundo.
Autoridades dos EUA querem que Japão e Coréia do Sul, que suspenderam a compra de carne em dezembro de 2003, voltem a comprar dos norte-americanos, mas as negociações estão lentas e os países querem garantias de que novos casos não ocorrerão. Antes da suspensão, o Japão era o maior mercado de carne dos EUA, com US$ 1,4 bilhões em compras anuais. A Coréia do Sul era o terceiro mercado.
Países como o Brasil e a Austrália elevado substancialmente o volume de vendas de produtos frigoríficos desde a ausência dos EUA no mercado internacional.