Rio de Janeiro, 01 de Novembro de 2026

Mal chega à Presidência do Senado, Garibaldi vira alvo da Justiça

Candidato do PMDB à Presidência do Senado, o senador Garibaldi Alves Filho (RN) ainda não ocupou o posto de Renan Calheiros, julgado duas vezes por quebra de decoro parlamentar, e já é alvo de investigação por parte do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte. (Leia Mais)

Quarta, 12 de Dezembro de 2007 às 08:48, por: CdB

Candidato do PMDB à Presidência do Senado, o senador Garibaldi Alves Filho (RN) ainda não ocupou o posto de Renan Calheiros, julgado duas vezes por quebra de decoro parlamentar, e já é alvo de investigação por parte do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Norte. Segundo denúncia de quatro promotores da Defesa do Patrimônio Público de Natal e acolhida pela Justiça há mais de um ano, Alves Filho teria recebido cerca de R$ 210 mil, originários dos cofres da Secretaria de Defesa Social. O recurso foi pago a uma empresa de informática, a Microtec Sistemas, e disatribuído por 17 contas bancárias de pessoas diferentes que faziam parte ou foram contratadas pela empresa de marketing político Polis Propaganda e Publicidade.

De acordo com a denúncia, dinheiro público foi destinado ao pagamento de dívidas de campanha de Fernando Freire (PMDB), ex-vice-governador de Garibaldi, acusado de peculato e formação de quadrilha. Garibaldi foi eleito ao Senado na chapa de Freire, derrotado para o governo. Para a campanha, no entanto, a empresa contratada para fazer o marketing político era a mesma, a Polis Propaganda e Publicidade, do marqueteiro João Santana, ex-sócio do publicitário Duda Mendonça e amigo do senador Garibaldi.

Em conversa com jornalistas Garibaldi, Freire e dois ex-contratados da Polis admitiram que as campanhas de Freire ao governo e Garibaldi ao Senado foram realizadas com um único caixa e que João Santana trabalhou para os dois candidatos ao mesmo tempo.

– A Polis trabalhou não só na campanha ao governo como na campanha ao Senado. O candidato Garibaldi, hoje senador, e também o candidato Geraldo Melo. Então era uma campanha conjunta, majoritária, tanto para governo quanto para o Senado – disse a jornalistas o redator de rádio George Wilde Silva de Oliveira, contratado pela Polis.

A denúncia, apurada pelo diário paulista Folha de S. Paulo, foi sustentada pelo locutor de rádio Nilbert Roberto Maciel Mata, que teria recebido R$ 5 mil da Microtec. Em 2006, segundo o jornal, ele voltou a trabalhar com Garibaldi, na campanha a governador.

– Em 2002 eu fiz locução para Fernando Freire e Garibaldi, como era candidato ao Senado, eu tinha algumas falas que eu fazia – disse o locutor.

Ele garantiu à Polícia Civil, ao depor este ano, que não sabia da origem do dinheiro:

– Quando eu soube, fiquei chocado, porque a gente nunca está a par dessa parte (financeira). Hoje em dia a política está uma esculhambação – disse.

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