Rio de Janeiro, 24 de Maio de 2026

Major da PM é preso por desacato

Quarta, 01 de Junho de 2005 às 08:39, por: CdB

O major da Polícia Militar Fernando Corrêa de Oliveira, 35 anos, foi preso e autuado por desacato, danos ao patrimônio público, resistência à prisão, cárcere privado, disparo de arma de fogo e porte ilegal de armas, no fim da noite de terça-feira, em São Gonçalo. Lotado na Diretoria Geral de Pessoal, o major saiu da 74ª DP (Alcântara) às 3h58min desta quarta-feira, acusando a Polícia Civil de proteger os donos de um ferro-velho da Rua Capitão Juvenal Figueiredo, no Jardim Catarina, em Alcântara, São Gonçalo, Região Metropolitana, onde ele estaria fazendo uma suposta investigação de desmonte de carro.


- Havia desmonte lá e a Polícia Civil protegeu tudo isso. Agora, eu fui algemado pela gloriosa Polícia Militar para não falar nada - gritou o major, quando deixava a delegacia, acompanhado de praças e oficiais que o levariam para o Comando de Policiamento do Interior, em Niterói, onde ficará preso.
Fernando Corrêa é acusado de se desentender com os donos do ferro-velho, após acusá-los de vender peças retiradas de veículos roubados e dar voz de prisão a todos que se encontravam no local. De acordo com funcionários do ferro-velho, o major chegou ao local, por volta das 16h de terça-feira, vestindo bermuda, e pediu a peça anel do gargalo. Quando o funcionário apresentou a peça ele alegou que precisava apenas de parte dela. Para tentar resolver o impasse, a filha do proprietário do estabelecimento, a estudante de Direito Andreska Ferraz Reis, 24 anos, tentou interceder. Durante o desentendimento, o policial teria sacado uma pistola de calibre 380 e posto sobre o balcão, passando a exigir documentos que comprovariam a legalidade do funcionamento do ferro-velho. Para proceder a revista das peças e carros que se encontravam no local, o major acionou o 7º BPM (São Gonçalo).

Enquanto funcionários e proprietários do ferro-velho eram impedidos de deixar o local, a mãe da estudante denunciou aos policiais da delegacia de Alcântara que um homem armado estava impedindo o ir e vir das pessoas. Os inspetores Heraldo Leal e Celso decidiram levar o caso para a delegacia. Porém, quando deixavam o ferro-velho, levando a estudante e os demais envolvidos, foram impedidos pelo major. "Não sai com o carro não que eu atiro", ameaçou o militar, que em seguida, sacou a arma e atirou 11 vezes atingindo os quatro pneus da viatura da Polícia Civil.

Depois de convencido a seguir para a delegacia, o major, segundo o delegado Robson Rodrigues, permaneceu alterado e teve que ser algemado. Foi nesse momento, segundo o delegado, que o major se jogou contra as vidraças de sua sala, quebrando parte do vidro e configurando mais um dano ao patrimônio público.

O caso mobilizou equipes do Grupamento de Ações Táticas do 7º BPM (Alcântara), o atual comandante do batalhão, tenente-coronel Ronaldo Meneses, e equipes do Coordenadoria de Recursos Especias (Core), da Polícia Civil.

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