Rio de Janeiro, 29 de Agosto de 2026

Mais veículos devem preocupar autoridades

Terça, 07 de Dezembro de 2010 às 12:09, por: CdB

A extraordinária venda de veículos neste fim de ano puxou para cima a produção da nossa indústria automobilística, segundo os bons números de balanço divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). Os números, se são vistosos, devem, ser analisados, também, ao mesmo tempo pela sua faceta preocupante.

Pelo balanço da ANFAVEA a indústria automobilística nacional fechou o mês novembro com crescimento de 1,6% na produção de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus). Ao todo, saíram das linhas de montagem 321.084 novas unidades no mês, contra as 316.012 produzidas em outubro.

Na comparação com novembro de 2009, quando os resquícios da crise econômica global ainda eram muito maiores entre nós, o crescimento da indústria automobilística no mês passado chega a 10,1% - 291.535 veículos em 2009 contra os 321.084 de agora.

Em 11 meses, produção superior à do ano passado


De janeiro a novembro deste ano, foram produzidas 3.359.269 unidades. No mesmo intervalo do ano passado, prejudicado pela turbulência internacional, o total foi de 2.930.159 - uma alta, portanto, de 14,6% no período, este ano.

Dessa forma, os dados da ANFAVEA atestam que o número de veículos fabricados nos 11 meses de 2010 já supera todo o número produzido no ano passado - 3,18 milhões. O acumulado deste ano já supera até mesmo o do ano recorde de 2008, no qual foram produzidas 3,21 milhões de unidades automotoras.

A última projeção da ANFAVEA é que o ano fechará com, no mínimo, 3,6 milhões de veículos produzidos. O aumento da venda de carros, por mais que seja um termômetro rigoroso e incontestável do crescimento da economia, como eu disse, também sua faceta preocupante: exige cada vez mais e maiores investimentos na nossa infraestrutura urbana.

Sinal de alerta


É sinal de alerta, principalmente para o governo, quanto ao que tem de investir  nos sistemas de transportes públicos e de trânsito para que nossas cidades, mesmo as médias que ainda têm salvação, não venham a se transformar no caos urbano que é São Paulo e outras metrópoles brasileiras.

Na esteira dessa produção veicular, há que se adotar, então, medidas de prevenção ambiental - como revisão veicular, por exemplo, em todo o país - e de segurança e fiscalização no trânsito urbanas e intermunicipais.

Sem contar as políticas de integração metropolitana - que poucas ou nenhuma grande região urbana brasileira adota, nem mesmo a Grande São Paulo - e, insisto, os grandes, vultosos investimentos requeridos e que devem ser feitos, sem mais tardar, nos transportes públicos e de massa.

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