Nem bem terminou a rebelião na Penitenciária Lemos Brito, começou outra no Presídio Salvador (antiga Casa de Detenção), no mesmo Complexo Penitenciário do Estado, no bairro de Mata Escura, noticiou A Tarde.
Por volta das 11h20 deste domingo um dos presos fizeram de reféns um agente penitenciário, um auxiliar de cantina e um interno. A partir daí, os portões foram fechados e os visitantes também ficaram impedidos de sair. Segundo o diretor do presídio, major Ricardo Guimarães, pelo menos 400 pessoas, entre mulheres, inclusive grávidas, velhos e crianças estão reféns dos 720 internos.
As negociações entre os detentos a direção do presídio e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos fracassaram durante todo o dia. O secretário Sérgio Sanches pediu que os presos liberassem todos os reféns, em contrapartida eles não sofreriam nenhum tipo de punição. Os internos disseram não acreditar na palavra do secretário e as negociações foram encerradas às 20h30, devendo ser iniciadas hoje, às 10 horas.
A princípio os presos quiseram liberar os familiares, mas o diretor do presídio teria condicionado a saída deles à liberação dos três reféns. A informação foi negada pelo major Guimarães, mas confirmada pelo superintendente de Assuntos Penais, Virdal Antônio Sena.
-Isso foi feito por uma questão de segurança. Tem três reféns lá dentro, para que a vida dessas pessoas seja garantida tivemos que proceder dessa forma- disse Sena, alegando ser este um procedimento normal em situações semelhantes.
Entre os visitantes está Vanusa Bastos Novaes, 18 anos, grávida de sete meses.
-Minha filha está lá dentro desde às 8 horas da manhã. Ninguém dá notícia dela-desespera-se Valdemar Novaes, pai de Vanusa. V
irdal Sena, no entanto, negou que houvesse gestante sob o poder dos amotinados.
-Você estava lá dentro para saber- indagou à equipe.
Horas antes, por volta das 17 horas, outra gestante, Carla Pereira, deixou o presídio às pressas porque entrou em trabalho de parto com o rompimento da bolsa. Carla pariu na Maternidade Tyslla Balbino.
-O diretor mesmo assim não queria que eu fosse liberada, só depois de muita negociação consegui sair- disse.
Um dos momentos mais tenso, segundo o diretor do Presídio Salvador, major Guimarães, foi quando o agente penitenciário de prenome Emerson ficou mantido ajoelhado, com várias facas contra o seu pescoço.
Os amotinados reivindicam a volta das visitas às quintas-feiras, colocação de TV e rádio no pavilhão, o direito de receber alimentos levados pelos familiares - regalias que foram suspensas há um ano depois da última rebelião que acabou com a morte da agente penitenciária Miriam Tereza Guimarães, durante uma tentativa de fuga.
Não bastasse toda a confusão, depois do acordo assinado entre a direção do presídio e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, onde estiveram presentes representantes da Ordem dos Advogados do Brasil- seção Bahia (OAB), Ministério Público e a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, que pôs fim à primeira rebelião, teve início uma sessão de espancamento contra os 64 internos rebelados no momento em que eram transferidos para um novo pavilhão.
O acordo suspendeu por 30 dias o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) - motivo da rebelião -, até que seja feita uma reavaliação estrutural. Enquanto isso, os internos amotinados passariam pelo castigo disciplinar por terem provocado a situação, mas teriam direito a visitas de sete em sete dias (em vez de 15), banho de sol de duas horas, sem algemas, e visitas no Natal e Ano-novo.
Apesar do acordo e da liberação dos quatro reféns, no momento em que os 64 internos do Corp