A menos de 48 horas do aniversário de um ano do início da guerra que derrubou Saddam Hussein, o Iraque foi sacudido nesta quinta-feira por atentados violentos em várias regiões -numa demonstração de desafio e força de grupos contrários à ocupação do país. Ao menos nove civis e dois soldados americanos morreram. Dezenas de pessoas ficaram feridas.
Em Basra, segunda maior cidade do Iraque, uma explosão matou quatro iraquianos em frente ao Hotel Mirbad. Uma criança estava entre os dois feridos. O ataque foi perpetrado menos de 24 horas depois de um carro-bomba ter matado sete pessoas - incluindo um engenheiro britânico - ao explodir o Hotel Monte Líbano em Bagdá. Na noite de quarta-feira, autoridades iraquianas e americanas disseram que 27 pessoas tinham morrido em Bagdá, mas o número de vítimas foi revisado nesta quinta-feira.
Basra, localizada no coração do Sul do Iraque e de população majoritariamente xiita, foi palco de menos ataques do que Bagdá e do que as áreas sunitas de Faluja e Baquba. O hotel atacado nesta quinta-feira costumava ser usado para entrevistas de militares britânicos e por funcionários iraquianos da administração civil de Basra. As autoridades não sabem dizer se um carro-bomba ou uma bomba colocada na rua foi responsável pela explosão. Moradores disseram que uma multidão furiosa matou a pancadas um homem suspeito de estar por trás do ataque.
Horas depois da explosão em Basra, dois iraquianos (incluindo uma criança) morreram em meio a um confronto de guerrilheiros e soldados dos EUA em Falluja - cidade que é um dos maiores bastiões de ódio à ocupação e um celeiro de apoio a Saddam Hussein. Testemunhas viram também um helicóptero cair perto de Falluja, mas a informação não foi confirmada oficialmente.
O confronto em Falluja eclodiu depois de a guerrilha lançar um ataque de morteiro contra um prédio da administração local, ferindo oito soldados americanos. Duas pessoas morreram no tiroteio que se seguiu ao ataque, entre elas uma criança. Segundo o general Mark Kimmit, o ataque de morteiros tinha como alvo uma reunião de militares americanos e civis iraquianos da administração local.
Um comboio de caminhões americanos também foi atacado perto de Falluja. Os veículos foram incendiados após serem atacados por granadas e tiros de insurgentes. Um motorista ficou ferido.
Também nesta quinta-feira, três empregados de uma televisão iraquiana fundada pelos EUA foram mortos a tiros num ataque da insurgência em Baquba, cidade a Nordeste da capital. Homens abriram fogo contra um ônibus que levava os funcionários, matando três pessoas e ferindo ao menos cinco. Guerrilheiros têm perpetrado ataques contra iraquianos vistos como colaboradores das forças de ocupação.
Fontes militares afirmaram ainda que dois soldados americanos morreram em dois ataques de morteiro, um perto da fronteira com a Síria e outro numa base militar ao Norte de Bagdá.
No início da noite, dois outros três hotéis de Bagdá foram alvos de morteiros: o Rimal e o Burj al-Hayat. O hotel Cedar, em frente ao Rimal, também foi afetado. Segundo testemunhas, as explosões não causaram grandes danos. Os três hotéis são usados pela imprensa internacional e trabalhadores ocidentais de empresas que trabalham na reconstrução do país.
Soldados estão em alerta para o aumento da violência às vésperas do aniversário - celebrado no sábado - de um ano do início da guerra contra o regime de Saddam. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria dos ataques, os EUA apontam para Abu Musab al-Zarqawi, um jordaniano ligado à Al-Qaeda que estaria tentando desestabilizar a situação no Iraque com atentados terroristas.
Mais um dia de terror no Iraque
A menos de 48 horas do aniversário de um ano do início da guerra que derrubou Saddam Hussein, o Iraque foi sacudido nesta quinta-feira por atentados violentos em várias regiões -numa demonstração de desafio e força de grupos contrários à ocupação do país. Ao menos nove civis e dois soldados americanos morreram. Dezenas de pessoas ficaram feridas. (Leia Mais)
Quinta, 18 de Março de 2004 às 12:54, por: CdB