Rio de Janeiro, 22 de Maio de 2026

Mais um assassino de Tim Lopes é julgado no Rio

Terça, 14 de Junho de 2005 às 08:07, por: CdB

Após 20 dias da condenação de Elias Maluco, mais um acusado da morte do jornalista da TV Globo Tim Lopes será julgado pelo crime, nesta terça-feira.  Dessa vez quem senta no banco dos réus, no 1º Tribunal do Júri, é o traficante Cláudio Orlando Nascimento, conhecido como Ratinho. Ele é apontado como o bandido que mais torturou o jornalista e o que mais pressionou Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, para que Tim Lopes fosse morto.

A audiência vai começar, às 13h, com a leitura do processo. Em seguida,  Ratinho será interrogado. O acusado será representado pelo advogado José Maurício Neville, que defendeu Elias Maluco. No outro julgamento, ele dispensou as testemunhas de defesa, o que acelerou muito o andamento da audiência, que estava previsto para durar três dias. Não se sabe ainda se Ratinho vai adotar o mesmo procedimento. 

-  Ele é inocente e a defesa vai provar. Vai ser um julgamento muito longo - disse Neville.

O traficante Ratinho está preso na penitenciária de Bangu I, na Zona Oeste, e vai ser trazido para o Fórum pela manhã sob um forte esquema de segurança.

Pouco antes de a audiência começar, o juiz Fábio Uchôa vai ser sortear os sete jurados, a partir de uma lista de 21 nomes. Depois do depoimento do acusado, será a vez das testemunhas de defesa e acusação.

Segundo a polícia, os depoimentos dos bandidos na época do crime mostram que Ratinho foi o que mais incentivou os cúmplices a torturar e executar Tim Lopes. 

- Quando viu o Tim lá na Vila Cruzeiro, foi ele quem o rendeu, torturou e levou ao Elias para pedir permissão para terminar o assassinato - explica a Inspetora da Polícia Civil, Marina Magessi.

- Ele era o gerente daquela parte da grota. A imagem dele com o fuzil nas costas e aquele tipo de comando é uma prova irrefutável de que ele era um traficante da quadrilha - acrescenta.

Ratinho responde por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e formação de quadrilha, e pode pegar até 39 anos de cadeia. 

- São basicamente as mesmas provas que foram aprovadas contra o acusado Elias. O Ministério Público vai pedir que ele seja condenado em todos esses crimes - garante a promotora Viviane Tavares Henriques. 

Os outros cinco réus não serão mais julgados nessa data, devido à greve dos defensores públicos. A defesa de Ratinho entrou com um habeas corpus na semana passada, requerendo a suspensão do júri, mas o pedido foi indeferido pela desembargadora Maria Raimunda Azevedo, da 8ª Câmara Criminal.  Ainda vão sentar no banco dos réus Fernando Sátyro da Silva, Ângelo Ferreira da Silva, Elizeu Felício de Souza, Reinaldo Amaral de Jesus e Claudino dos Santos Coelho.

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