Mais três pessoas morreram no Paquistão nesta quarta-feira durante protestos contra a publicação de charges do profeta muçulmano Maomé por jornais ocidentais. Segundo a polícia paquistanesa, duas pessoas foram mortas na cidade de Peshawar, durante uma manifestação em que milhares de seguidores de partidos religiosos atacaram lojas e bancos, incendiando vários estabelecimentos.
Os escritórios de uma companhia de telefonia celular da Noruega e uma lanchonete da rede norte-americana KFC estão entre os estabelecimentos atacados. Em Lahore, mais uma pessoa morreu em choques com a polícia nesta quarta. Outras duas pessoas já haviam morrido na terça-feira após forças de segurança terem disparado contra a multidão durante um protesto semelhante.
As charges foram publicadas inicialmente pelo jornal dinamarquês Jyllands-Posten em setembro, mas desde então já foram republicadas por diversos jornais europeus e provocaram a ira de muçulmanos em todo o mundo. Os desenhos incluem uma imagem de Maomé com um turbante em forma de bomba. A tradição islâmica proíbe explicitamente qualquer representação de Deus ou dos profetas.
A polícia em Peshawar usou gás lacrimogêneo para afastar os manifestantes que teriam incendiado e saqueado a lanchonete KFC.
- As chamas ainda estão destruindo o local. Posso ver fumaça saindo das janelas e os móveis foram destruídos - disse Tehseen Khan, morador da cidade, à agência de notícias France Presse.
Outra manifestação violenta teria ocorrido na cidade de Tank, perto da fronteira com o Irã. Um policial foi ferido quando alguns manifestantes abriram fogo. Segundo testemunhas mais de 20 lojas que vendiam equipamentos de vídeo e áudio foram atacas e incendiadas.
A segurança foi aumentada no bairro dos diplomatas na capital, Islamabad, depois que dezenas de estudantes conseguiram atravessar uma barreira de segurança na segunda-feira e tentaram atacar embaixadas. Na segunda-feira, a polícia enfrentou vários protestos no Paquistão em que manifestantes atacaram alvos ocidentais.
Os protestos estão ficando maiores e mais tumultuados pois partidos de oposição, islâmicos, começaram uma campanha de protestos antes da visita do presidente americano, George W. Bush, no início de março.