A Vigilância Sanitária de Goiás investiga dois casos de mulheres que passaram mal depois de passar pelo tratamento chamado de escova progressiva, usado para alisar os cabelos. Segundo a coordenadora de fiscalização de produtos do órgão, Valéria Rodrigues de Oliveira, uma mulher foi internada em Formosa, depois de ter cremes de alisamento aplicados nos cabelos, na semana passada. O outro caso aconteceu em Goiânia, mas ainda não há detalhes.
O tratamento virou alvo de críticas e de uma fiscalização mais intensa depois que a dona-de-casa Maria Ení da Silva, de 33 anos, morreu, na última terça-feira. Segundo a família, Maria Ení teve uma mistura de cremes e formol aplicada na cabeça no último sábado, em um salão de Porangatu (GO), e foi orientada a ficar três dias sem lavar os cabelos. Na madrugada de terça, ela passou mal e morreu. A polícia investiga se houve intoxicação ou reação alérgica.
- O número de ligações para a Vigilância Sanitária aumentou 70% depois desse caso - diz Valéria. - As pessoas querem tirar dúvidas ou fazer denúncias de irregularidades nos salões de beleza -.
A principal irregularidade informada pelas clientes, segundo Valéria, é o uso de formol. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe o uso de substâncias que tenham concentração de formol superior a 0,2%. Segundo a Anvisa, a exposição excessiva ao formol causa irritação nos olhos, queimadura nas vias respiratórias e, a longo prazo, pode causar câncer. As donas do salão onde Maria Ení fez a escova progressiva negam o uso desse produto.
Valéria diz também que recebeu informações de que vendedores ambulantes passam pelos institutos de beleza vendendo produtos que alisam os cabelos, mas não contêm rótulos. - Isso é um perigo. Não se pode usar uma substância sem saber detalhes de sua fórmula - afirma a coordenadora da Vigilância Sanitária.
Investigações
As investigações sobre a morte de Maria Ení, em Porangatu, continuam. Os produtos usados pela dona-de-casa foram recolhidos do salão na semana passada. Além disso, o corpo dela foi exumado na quinta-feira para a retirada de amostras do couro cabeludo, de fios de cabelo e das vísceras. O resultado dos exames deve sair nas próximas semanas.
Nesta segunda, a delegada Cynthia Christyane Alves da Costa deve ouvir novos depoimentos. Enquanto isso, equipes das Vigilâncias Sanitárias dos municípios goianos e do Estado estão realizando inspeções em revendedoras de cosméticos para localizar frascos do mesmo lote do produto de alisamento usado em Maria Ení. - Temos que analisar um frasco lacrado para verificar sua composição e depois confrontar com o material usado nos cabelos da vítima para saber se houve alteração - afirma Valéria.
Fiscalização redobrada
A Vigilância Sanitária de Goiás decidiu reforçar o cerco contra produtos irregulares nos salões de beleza. Valéria comenta que, desde o ano passado, são distribuídos folhetos aos cabeleireiros explicando os riscos do formol. - O formol é arriscado para o cliente, mas pode causar mais danos ao profissional que realiza três, quatro escovas por dia e fica o tempo todo em contato com a substância - explica ela.
O trabalho de orientação também inclui palestras aos responsáveis pela fiscalização dos salões. Nesta segunda-feira, a Secretaria Estadual da Saúde promove um curso sobre rotulagem de cosméticos para 30 pessoas.
Valéria informa que as denúncias à Vigilância Sanitária de Goiás podem ser feitas pelo telefone 0800-3506464.