O superávit da balança comercial de janeiro e o aumento da confiança das famílias na Economia (vejam os dados no post abaixo) contrapõem-se ao pessimismo disseminado diariamente pela mídia e pelo chamado mercado. Claro que sabemos - e já registrei várias vezes aqui - que esta não é uma campanha espontânea. Pelo contrário, é uma operação evidentemente concertada.
Vale tudo para conseguir não apenas um aumento expressivo na taxa de juros Selic (11,25% hoje, mas querem em 12,25% até o final do ano), como um corte maior no Orçamento Geral da União de 2011. Estas duas boas notícias de hoje chegam depois de outras duas: as quedas anunciadas pelo INSS do seu déficit anual (em 2010), e da nossa dívida interna percentualmente entre 2010/2009 em relação ao PIB.
São dados (nada menos que quatro) que se contrapõem de novo à gritaria sobre os riscos inflacionários do excesso de demanda e da incapacidade de nossa economia crescer no ritmo atual. Ou seja, os que promovem a gritaria dão um verdadeiro chute, já que não levam em conta a reação da economia, do governo, dos empresários e dos consumidores, e nem as exigências de uma maior produção.
Especuladores ignoram medidas adotadas pelo governo
Tampouco consideram - sequer analisam - as medidas já tomadas pelo governo para conter o crédito e o crescimento dos gastos públicos e, muito menos, o potencial real de nossa economia.
Trata-se, assim, de uma mistura de interesses escusos do rentismo com um complexo de vira-latas, o sentimento atribuído aos brasileiros pelo escritor e teatrólogo Nelson Rodrigues. Além disso, revela um lado patológico dos investidores no mercado especulativo: eles gostam de correr riscos para ganhar dinheiro fácil sob a proteção do Estado.
Mas, nunca para fazer o país crescer. Basta ver como foram socorridos nos Estados Unidos e na Europa. Lá, quem paga a conta agora são os trabalhadores, os funcionários públicos, os aposentados, os jovens desempregados e as famílias pobres (vejam nota abaixo).