A Comissão Européia defendeu, nesta quarta-feira, um pacote de estímulo fiscal de 200 bilhões de euros (US$ 260 bilhões) na tentativa de evitar uma profunda recessão no bloco de 27 países. O movimento procura diminuir as diferenças entre os países da União Européia nas políticas de reação à pior crise financeira desde a Grande Depressão. Líderes do bloco vão estudar o plano em uma cúpula nos dias 11 e 12 de dezembro e o presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, enfatizou que os governos devem olhar com atenção a proposta.
– Nossa atitude é de oferecer uma série de ferramentas – disse Barroso a jornalistas sobre o pacote de propostas equivalentes a 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do bloco.
O plano inclui cortes de impostos ao consumo e recursos para setores como o automotivo.
– As medidas que os Estados-membros estão introduzindo não precisam ser idênticas, mas precisam ser coordenadas – acrescentou.
França, Grã-Bretanha e outros vários países da UE já adotaram esforços nacionais para impulsionar suas economias.
– Ações já anunciadas por Estados-membros é claro que são parte desse esforço – acrescentou Barroso.
Segundo ele, não está claro se o esquema - mais ambicioso que o pacote de 1% do PIB que vinha sendo falado - será suficiente. Economistas manifestaram ceticismo sobre como o plano pode ser gerenciado.
A Alemanha já disse que resistiria a qualquer tentativa de coordenar cortes de impostos sobre vendas pelo bloco, enquanto países do leste europeu, como Polônia, não querem aumentar seus déficits porque precisam mostrar disciplina orçamentária para adotar o euro como moeda. As propostas incluem medidas equivalentes a 1,2 ponto percentual dos gastos orçamentários nacionais e 0,3 ponto de financiamento da UE.
A chanceler alemã, Angela Merkel, alertou nesta quarta-feira contra uma competição entre os países para produzir grandes pacotes de estímulo para suas economias.
– Nós não devemos entrar em uma corrida por bilhões – disse.
Juros na Europa
O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, afirmou nesta quarta-feira que o banco pode cortar sua taxa básica de juro na próxima semana desde que as evidências de diminuição das pressões inflacionárias sejam claras.
– Vamos ter uma série de novas informações e nós não excluímos a possibilidade de reduzir o juro de novo se as pressões sobre preços tiverem aliviado – afirmou Trichet durante uma entrevista coletiva.
Juros na China
O Banco Central da China cortou nesta quarta-feira suas taxas de juros de empréstimos e depósitos em 1,08 ponto percentual, a quarta redução desde meados de setembro. Os custos para os empréstimos bancários de um ano passam de 6,66% para 5,58%, enquanto a taxa de referência para depósitos caiu para 2,52%, ante 3,60%, informou o Banco Popular da China. A redução das taxas entra em vigor na quinta-feira, informou o BC chinês em seu site na Internet.
O corte na taxa de empréstimos foi o maior desde outubro de 1997. Segundo a autoridade monetária, a redução visa garantir liquidez suficiente no sistema bancário para garantir crescimento. O BC chinês já havia cortado o juro os dias 29 e 8 de outubro e no dia 15 de setembro.
Depois que a China resolveu cortar a taxa de juro local em 108 pontos-básicos, Trichet disse:
– Tenho certeza que o que os meus colegas na China fizeram foi apropriado para a economia chinesa – concluiu.