A administração petista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva gastou R$ 867,1 milhões em publicidade, no ano passado. Esse valor é R$ 250 milhões maior do que o consumido em 2003, uma alta de 40,5% nesse tipo de despesa.
O consumo propagandístico do PT quase iguala Lula a seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso. O acompanhamento desses gastos só é realizado desde 1998, e o valor mais alto registrado foi em 2001, com FHC. Naquele ano, o tucano investiu R$ R$ 881,6 milhões em publicidade - só 1,7% a mais do que o petista em 2004.
Os valores são oficiais e foram corrigidos pela inflação do período pelo próprio governo. Os dados serão divulgados oficialmente nesta sexta-feira pela Secom (Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica da Presidência da República), de Luiz Gushiken.
Os R$ 867,1 milhões gastos com publicidade federal no ano passado se referem a todos os ministérios, autarquias, fundações e empresas estatais.
Quando se divide o número entre administração direta (Presidência, ministérios, secretarias e algumas estatais que não concorrem no mercado, como a Infraero), o gasto total é de R$ 222,8 milhões. Já a indireta (estatais que concorrem no mercado, como a Petrobras) gastou R$ 644,3 milhões em propaganda em 2004.
O crescimento percentual do valor gasto de 2003 para 2004 foi quase idêntico nas administrações direta e indireta: de 40,8% e de 40,4%, respectivamente.
Na estatística, não está incluída parte relevante do gasto com propaganda. O governo não diz de forma consolidada quais são todas as suas despesas com publicidade legal (balanços e editais), produção dos comerciais e patrocínio. A estimativa é que consumam de R$ 200 milhões a R$ 250 milhões por ano.
Incluindo os valores que não são divulgados de forma consolidada, a gestão Lula tem despesa anual com propaganda da ordem de R$ 1,050 bilhão. Quando isso é colocado na tabela dos maiores anunciantes do país, só perde para Casas Bahia, que, em 2004, segundo o levantamento Ibope Monitor, gastou R$ 1,6 bilhão.
Os números do Ibope Monitor, entretanto, não são plenamente comparáveis aos do governo. Os dados governamentais são reais e equivalem ao que foi pago. No levantamento do Ibope Monitor, considera-se o que saiu de propaganda e multiplica-se pelo valor das tabelas de preços dos veículos. É comum grandes anunciantes terem descontos na casa dos 50%.
O segundo órgão que mais gastou com publicidade foi o Ministério da Saúde (R$ 66,6 milhões), seguido por Furnas (R$ 13,3 milhões). Na lista dos mais gastadores chama a atenção um novato: a Infraero, que administra os aeroportos do país. Seu gasto publicitário anual sempre foi modesto, na casa do R$ 1,5 milhão. No ano passado, essa empresa ficou em sétimo lugar entre as que mais gastaram com propaganda, registrando uma despesa de R$ 5,825 milhões.