Entre os imigrantes e refugiados que chegam à Grécia, 44% são homens adultos, 22% são mulheres adultas e 34% são crianças, segundo dados atualizados da OIM
Por Redação, com agências internacionais - de Bruxelas:
Mais de 146 mil refugiados e imigrantes chegaram à Europa desde o início do ano pelo Mar Mediterrâneo e 455 morreram na travessia, anunciou nesta sexta-feira a Organização Internacional para as Migrações (OIM).
Nos últimos dois meses e meio, mais de 137 imigrantes e refugiados alcançaram a costa europeia pela rota do Mediterrâneo oriental, entre a Turquia e a Grécia. Durante a travessia, 354 pessoas morreram.
Mais de 146 mil refugiados e imigrantes chegaram à Europa desde o início do ano
Mais 9,1 mil escolheram a rota do Mediterrâneo central, entre a Líbia e a Itália. Desde o início do ano, 97 pessoas perderam a vida nessa travessia.
No mesmo período, mais 400 imigrantes fizeram o percurso entre a região do Magrebe e a Espanha. Quatro pessoas morreram no percurso.
Apesar da maioria das chegadas estar concentrada na rota do Mediterrâneo oriental, por causa do conflito na Síria, no Iraque e Afeganistão, o número de imigrantes que está optando pela rota entre a Líbia, Malta e a Itália tem aumentado, informou o porta-voz da OIM, Joel Millman, em entrevistaem Genebra.
Os 9,1 mil imigrantes registrados nessa rota até quinta-feira representam aumento significativo em relação ao mesmo período dos últimos dois anos. Em 2015, foram registradas 7.882 entradas no mesmo e, em 2014, cerca de 5,5 mil.
– O tráfico de seres humanos no mar entre a Líbia e Itália aumentou 15% em comparação com o ano passado, e mais de 60% em relação a 2014 – disse Millman.
Na entrevista, o porta-voz da OIM informou que a média diária de chegadas ao território grego é de 2 mil pessoas.
De acordo com as autoridades gregas, os imigrantes e refugiados que chegam à costa da Grécia são procedentes da Síria (47%), do Afeganistão (27%), Iraque (17%), Irã (3%) e do Paquistão (3%).
Entre os imigrantes e refugiados que chegam à Grécia, 44% são homens adultos, 22% são mulheres adultas e 34% são crianças, segundo dados atualizados da OIM.
Bálcãs
A União Europeia (UE) se mostrou nesta quinta-feira (10/03) dividida quanto às decisões unilaterais da alguns países – incluindo os Estados-membros Eslovênia e Croácia – de fechar suas fronteiras aos imigrantes ilegais.
O bloqueio da chamada rota dos Bálcãs, levado a cabo também pela Macedônia e pela Sérvia, deixou milhares de imigrantes retidos e sem perspectivas, a maioria deles na Grécia, e explicitou o grau de divisão dentro da UE.
Em essência, todos os europeus querem a mesma coisa: diminuir o ingresso de refugiados na UE. Só que a chanceler federal alemã, Angela Merkel, defende que isso se dê por meio de um acordo com a Turquia. Já o chanceler federal da Áustria, Werner Faymann, diversas nações dos Bálcãs e do Leste Europeu, bem como o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, defendem o fechamento de fronteiras.
– Essa não é a solução do problema – afirmou Merkel, em referência ao fechamento da rota dos Bálcãs, à emissora alemã MDR. "Devemos sempre, como bloco de 28 nações, buscar uma solução comum", disse, condenando atitudes tomadas isoladamente.
– Essa decisão unilateral da Áustria e, em seguida, de países dos Bálcãs, deixa-nos com menos refugiados, mas também deixa a Grécia numa situação difícil. Essa situação não é sustentável nem duradoura. É por isso que estou à procura de uma solução realmente europeia, que é uma solução para todos os 28 países – sublinhou Merkel.
Em reação aos comentários de Merkel, o governo em Viena acusou Berlim de vender esperanças falsas para os refugiados e de não encarar o problema de frente. "A rota dos Bálcãs permanecerá fechada de forma duradoura. Esse fluxo descontrolado em direção ao centro da Europa deve ser coisa do passado", disse a ministra austríaca do Interior, Johanna Mikl-Leitner, em Bruxelas.
Ela responsabilizou a política migratória alemã pela situação dramática nos campos de refugiados, como o de Idomeni, na fronteira da Grécia com a Macedônia, onde milhares de imigrantes vivem em condições precárias. "Se você promover esperanças falsas, então dezenas de milhares vão se botar a caminho", afirmou Mikl-Leitner.
O coordenador do governo alemão para refugiados, Peter Altmaier, afastou as preocupações quanto a um rompimento da harmonia dentro da UE, mas criticou o fechamento das fronteiras nos Bálcãs. "Não poderemos resolver o problema enviando os refugiados de um lado para o outro como sacos de batatas" enfatizou.
Altmaier, porém, se disse esperançoso quanto ao acordo entre a UE e a Turquia, que estabelece medidas para tentar diminuir o fluxo de refugiados rimo à Europa. "Essa é a primeira vez que temos chances reais de resolver o problema", ressaltou.
Com o fechamento das fronteiras em países dos Bálcãs, o número de refugiados que chegam diariamente à Alemanha diminuiu drasticamente. Nesta quarta-feira, apenas 125 pessoas foram registradas pela polícia alemã. Na terça foram 162 pessoas.
Tags:
Relacionados
Edições digital e impressa
Utilizamos cookies e outras tecnologias. Ao continuar navegando você concorda com nossa política de privacidade.