Rio de Janeiro, 11 de Setembro de 2026

Mais da metade dos alunos do ensino médio no Rio têm baixo desempenho em matemática

Domingo, 19 de Junho de 2011 às 08:25, por: CdB

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro - O ensino de matemática nas escolas fluminenses de nível médio pede socorro. Dados divulgados na última segunda-feira (13) revelam que mais da metade dos alunos aprenderam apenas um terço do conteúdo ensinado em sala de aula nos primeiros dois meses de 2011.

A constatação foi feita pela Secretaria Estadual de Educação que, em abril, aplicou provas de Português e Matemática para os alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental e para as três séries do ensino médio de escolas públicas. O resultado mostra que é preciso reforçar o ensino de matemática em todos os níveis. Principalmente, no primeiro ano do ensino médio.

De acordo com a secretaria, 71% dos alunos do 1º ano não conseguiram acertar nem um terço da prova. Já no 2º e no 3º, o percentual era de 66% e 52%, respectivamente. Chama a atenção a queda do aprendizado entre o 9º ano do ensino fundamental (o último ano), quando 31% estava abaixo da média, e o 1o ano do ensino médio, quando 71% dos alunos apresentam déficit de conteúdo.

Na avaliação da secretaria, o ensino de matemática no 9º ano é fraco e os alunos demonstram a deficiência no 1º ano do ensino médio. Mas para o diretor do Instituto de Matemática da Universidade Federal Fluminense (UFF), Celso José da Costa, a queda de desempenho reflete problemas estruturais desde os primeiros anos da educação básica.  

"No caso da matemática, há um salto de complexidade de um ano para o outro. Nesse momento, detecta-se no aluno toda a falha de conteúdo dos anos anteriores", afirmou. "O estudante chega de forma precária no 9º ano do [ensino] fundamental, mas, sem dominar o conteúdo prévio, ele não vai conseguir seguir com coisas mais abstratas no ensino médio", explicou.

Por outro lado, a secretaria explica que a aparente queda do percentual de alunos abaixo da média no 2º e 3º ano também não é um sinal de avanço e se deve à reprovação dos mais fracos.

Segundo o Sindicato Estadual dos Professores do Rio (Sepe), os alunos não têm nenhum problema para fixar o conteúdo. O baixo nível de aprendizado reflete a precarização do trabalho em turmas lotadas, onde não é possível identificar as dificuldades dos alunos, além da falta de profissionais. "É um problema cumulativo", acrescenta um dos diretores da instituição Alex Trentini.

O relatório com o desempenho dos alunos na prova também mostra que o aprendizado em língua portuguesa diminui muito de um nível de ensino para o outro, mas não na mesma proporção que ocorre em matemática. Em português, chama a atenção o fato de 31% dos alunos do 2º ano do ensino médio não atingirem a média de acertos de um terço da prova.

"A matemática e o português são um reflexo da escola. Se está ruim nessas duas matérias, está ruim em geografia, biologia e física. Está ruim em tudo", completou o diretor do Instituto de Matemática. Para Celso, corrigir o problema também passa pela melhor remuneração e formação de docentes, que precisam ser mais dinâmicos e criativos "para apresentar conteúdos abstratos", disse.

A avaliação da Secretaria de Educação é aplicada a cada dois meses e serve para monitorar o desempenho dos alunos e identificar as lacunas de aprendizado. A ideia é elevar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) do estado do Rio que ocupa um dos últimos lugares no ranking.

 

Edição: Lílian Beraldo

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