Rio de Janeiro, 19 de Setembro de 2026

Mais aliados históricos protestam contra espionagem dos EUA

Segunda, 21 de Outubro de 2013 às 10:57, por: CdB
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Vários movimentos contra a espionagem dos EUA aos países aliados desenvolvem-se no mundo
A França convocou o embaixador dos Estados Unidos nesta segunda-feira para protestar contra as denúncias feitas pelo jornal Le Monde sobre a espionagem em grande escala a cidadãos franceses por parte da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês). As acusações de que a agência estaria coletando dezenas de milhares de registros telefônicos de franceses ameaçam provocar uma disputa diplomática justamente no momento em que o secretário de Estados dos EUA, John Kerry, chegou a Paris para o início de uma viagem à Europa para tratar da Síria. – Eu convoquei imediatamente o embaixador dos EUA e ele será recebido esta manhã no Quai d'Orsay (Ministério das Relações Exteriores da França) – disse o chanceler francês, Laurent Fabius, a repórteres à margem de uma cúpula da UE em Luxemburgo. Mais cedo, o ministro do Interior da França, Manuel Valls, disse que a revelação feita pelo Le Monde, de milhões de dados telefônicos de cidadãos franceses foram gravadas pela NSA entre 10 de dezembro de 2012 e 8 de janeiro de 2013, era "chocante". – Se um país aliado espiona a França ou espiona outros países europeus, isso é totalmente inaceitável – disse Valls à rádio Europe 1. O embaixador norte-americano na França, Charles Rivkin, recusou-se a confirmar se havia sido chamado a prestar esclarecimentos pela chancelaria francesa, e destacou que as relações entre EUA e França são próximas. – Esse relacionamento a nível militar, de inteligência, e forças especiais... é o melhor em uma geração – disse Rivkin à Reuters na chegada de Kerry a Paris. Em julho, o Ministério Público francês iniciou uma investigação preliminar sobre a espionagem da NSA depois que a revista alemã Der Spiegel e o jornal britânico The Guardian revelaram a extensão dos programas de vigilância da agência norte-americana, com base em dados fornecidos pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden. As revelações de Snowden também abalaram as relações dos EUA com o Brasil, que segundo denúncias foi outro alvo dos programas de espionagem da NSA. México também Nesta manhã, o México também fez duras críticas aos Estados Unidos após novas denúncias de espionagem feitas por uma revista alemã, de que a NSA invadiu a conta de email de Felipe Calderón enquanto ele era o presidente mexicano. O revista semanal Der Spiegel reportou que, em maio de 2010, uma das divisões da NSA conseguiu acessar a conta de email do então presidente Felipe Calderón e tornar o gabinete presidencial uma "lucrativa" fonte de informação. Os detalhes sobre a suposta invasão da conta de Calderón pela NSA foram retirados de um documento vazado pelo ex-prestador de serviço da agência Edward Snowden, segundo a reportagem. As informações vazadas por Snowden provocaram reações de repúdio contra Washington na América Latina, principalmente do Brasil, que também foi alvo de espionagem dos EUA, segundo denúncias. A NSA obteve sucesso em invadir um servidor central na rede da Presidência mexicana, utilizado por diversos membros do gabinete de Calderón, colhendo valiosas informações sobre assuntos diplomáticos e econômicos, de acordo com a Der Spiegel. Sem citar diretamente a reportagem alemã, amplamente replicada na mídia mexicana, o Ministério das Relações Exteriores do México condenou, no domingo, as recentes denúncias sobre "ações suspeitas de espionagem perpetradas pela Agência de Segurança Nacional (dos EUA)." – É uma prática inaceitável, ilegal e contra a lei mexicana e internacional – diz o comunicado do Ministério. O México é um dos maiores parceiros comerciais dos EUA e a denúncia pode afetar as relações em um momento no qual os dois lados buscam melhorar a cooperação em questões como a segurança de fronteiras e a luta contra o crime organizado. O Ministério recordou no comunicado que o presidente dos EUA, Barack Obama, alegou na mais recente reunião com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, que sucedeu Calderón em dezembro, estar comprometido com a condução de uma "exaustiva investigação" sobre os responsáveis pela suposta espionagem. – Em um relacionamento entre vizinhos e parceiros não há espaço para as ações que foram supostamente conduzidas – acrescentou. Peña Nieto, que de acordo com outras reportagens também foi vítima da espionagem da NSA antes de assumir o mandato, já havia classificado as denúncias de espionagem pelos EUA como "inaceitáveis", em julho. Mesmo assim, o México, que envia 80% de suas exportações para os EUA, tem tido uma reação mais contida às alegações de espionagem do que o Brasil. No mês passado, a presidente Dilma Rousseff adiou indefinidamente uma visita de Estado a Washington que estava marcada para outubro por causa das revelações de que a NSA espionou suas comunicações. Dilma também atacou a espionagem dos EUA em seu discurso na abertura da Assembleia-Geral da ONU.
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