Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Mais agressiva, tropa da ONU começa a estabilizar o Haiti

Quarta, 13 de Abril de 2005 às 16:46, por: CdB

A postura mais agressiva adotada nas últimas semanas pelas tropas de paz da ONU no Haiti colocaram o país no caminho da estabilidade, disse na quarta-feira o diplomata brasileiro que comanda uma delegação do Conselho de Segurança que está no país caribenho.

"O fato de que há uma tendência na direção da estabilização está claro na minha mente", disse o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, em entrevista coletiva ao desembarcar em Porto Príncipe.

Os diplomatas da ONU dizem que a estabilidade é crucial para a recuperação econômica do Haiti e para a realização de eleições presidenciais em novembro. O atual governo interino foi instalado depois que o presidente Jean-Bertrand Aristide, sob pressão dos Estados Unidos, fugiu de uma rebelião, em fevereiro de 2004.

Nos 14 meses desde então, a violência continuou sendo um grande problema. Gangues armadas e ex-militares vagam pelas ruas, delegacias de cidades pequenas estão sob controle de rebeldes, e policiais são acusados de violações aos direitos humanos.

Pelo menos 650 pessoas morreram desde setembro. Nesta semana, a comissão eleitoral do país disse que a instabilidade pode retardar o pleito de novembro.

Recentemente, entretanto, os 6.000 soldados da força de paz liderada pelo Brasil adotaram táticas mais incisivas contra os grupos armados, às vezes em colaboração com a polícia local. Dois líderes rebeldes importantes foram mortos neste mês.

Os embaixadores dos 15 países do Conselho de Segurança ficarão no Haiti até sábado para avaliar o desempenho da missão e as possíveis mudanças No mandato da força, que expira no final de maio. Essa é a primeira vez que o Conselho de Segurança despacha seus diplomatas para uma missão na América Latina ou no Caribe.

Sardenberg disse que as tropas da ONU demoraram a chegar, após a fuga de Aristide, e só em dezembro tinham contingente suficiente para reagir à desordem. Ele afirmou que, desde que os soldados ampliaram sua atividade, há um consenso no Conselho de Segurança de que "estamos no caminho certo".

Outros diplomatas da missão ouvidos pela Reuters concordaram que a missão militar está melhorando, mas o russo Andrei Denisov disse que os meses que antecedem às eleições serão o verdadeiro teste. "A situação está muito dura. Há muitos problemas, mas ninguém sabe o que fazer", declarou.

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